Saint Maarten

Passava das 17h quando vi pela primeira vez. De longe, o pontinho branco crescia rapidamente à medida que se misturava com a vista das águas azul-turquesa e da praia de areia branca e fina que compunham o belíssimo cenário local. Aos poucos, o pontinho transformou-se em um enorme avião barulhento passou muito perto da praia – e da minha cabeça – antes de aterrissar ali mesmo, a menos de 10 metros da areia. Não restava dúvida: eu definitivamente estava em St. Maarten/St. Martin, ilha caribenha famosa, entre diversos outros motivos, pelo seu pitoresco aeroporto à beira-mar – é real mesmo, não é uma brincadeira de internet.

Localizado em Maho Beach, o peculiar e ao mesmo tempo moderníssimo aeroporto internacional Princess Juliana reflete com exatidão o que é St. Maarten/St. Martin: uma ilha absolutamente única: trata-se do menor território do mundo dividido entre dois países. Em apenas 60 km2 (Vitória/ES, a menor capital do Brasil, tem 93 km2), ficam Saint Maarten (pronuncia-se San Martin) e Saint Martin (pronuncia-se San Martã).

O primeiro país é menor, tem cerca de 27 km2, faz parte das Antilhas Holandesas e, conseqüentemente, do reino da Holanda. Lá, fala-se inglês e usa-se dólar (embora a língua e a moeda oficiais sejam o holandês e o florin antilhano). O segundo é um departamento ultramarinho de 33 km2 que responde à prefeitura de Guadalupe e faz parte da França. Por isso, seus habitantes falam francês e utilizam o euro como moeda corrente.

Em termos regionais, essa divisão política é quase irrelevante. Graças ao Tratado de Concórdia, assinado em 1684, ambos os lados da ilha convivem em absoluta paz. Não há barreiras de fronteira e nem indicações de que ela existe – a não ser uma placa em uma das avenidas do lado leste da ilha. Percebe-se que se está do outro lado apenas quando a língua muda, embora todos os habitantes, tanto de St. Maarten quanto de St. Martin, falem inglês, holandês e francês (muitos deles ainda arranham o espanhol e o papiamento, língua típica do Caribe que tem como influência o português).

Para os brasileiros, particularmente, há outra importante diferença entre o lado holandês e o lado francês. Quem se hospeda em St. Maarten não precisa de visto, mas quem opta por ficar em um hotel em St. Martin tem de adquiri-lo. É estranho, pois embora a França não exija visto de entrada dos brasileiros, seus departamentos ultramarinhos o pedem. O documento deve ser solicitado nos consulados da França e apresentado apenas nos hotéis do lado francês, já que todo mundo chega à ilha pela holandesa St. Maarten, onde fica o aeroporto. E é por lá também que se deve iniciar uma boa volta pela região.

Com mais de 400 restaurantes, St. Maarten/St. Martin é uma das ilhas caribenhas onde se come melhor. Há opções para todos os gostos: comida japonesa, mexicana, mediterrânea, caribenha, norte-ameri¬cana – sim, Mc Donald's e companhia estão por lá – e por aí vai. As principais casas ficam em Simpson Bay, região localizada entre a capital holandesa Philipsburg e Maho Beach. Restaurantes como The Wharf e Turtle Pier servem de tudo, mas a especialidade são os frutos do mar. Não deixe de experimentar peixes como o atum amarelo e o mahi mahi, de preferência com molho creóle, iguaria caribenha que mistura tomate, cebola, pimenta e alguns outros temperos (não é forte).

Localizada ao lado do aeroporto – ou praticamente dentro dele –, a praia de Maho Beach é um excelente ponto de partida para quem deseja conhecer a ilha (e suas 37 praias). Para os brasileiros, o local é estratégico, já que boa parte dos pacotes vendidos no País oferece hospedagem no Sonesta Maho Beach, o maior hotel da região. Em frente ao hotel, há lojas, restaurantes e supermercados. Isso sem falar no Royale, o maior dos 13 cassinos da ilha, que aceita apostas de baixo valor até mesmo em jogos como pôquer. Nem precisa sair de carro para aproveitar a noite por lá.

O maior atrativo de Maho Beach, no entanto, é a chance de registrar a foto do avião passando bem pertinho da areia, o maior clichê de St. Maarten/St. Martin. Tão clichê que o principal bar da praia, o Sunset Bar, informa em um quadro negro os horários em que os aviões vão pousar. Os maiores, da Air France e da American Airlines, chegam apenas nos fins de semana. Mais do que vê-los aterrissar, vale a pena observá-los partir. Essa é a hora em que alguns turistas se agarram à grade que separa a praia da pista para não serem lançados em direção ao mar pelo vento gerado pelas turbinas das aeronaves. Diversas placas de “Perigo” tentam limitar a prática. Mas quem liga para elas?

St. Maarten/St. Martin não é uma ilha para quem gosta de ficar parado dentro de resorts, como ocorre em muitos outros destinos caribenhos. A ordem por lá é fazer festa e sair para a rua o tempo todo, inclusive quando a Lua aparece. As melhores opções noturnas ficam do lado holandês. Destaque para os cassinos e bares de Simpson Bay. Quem gosta de uma boa balada nem precisa pensar duas vezes: corra logo para a Bliss, perto de Maho Beach. A bela casa vive cheia de pessoas bonitas. Do lado francês, há um divertido bar à beira-mar chamado Waikiki Beach, que fica na praia de Orient Beach, funciona como restaurante e serve de palco para grandes festas.

Faz sol o ano inteiro em St. Maarten/St. Martin. Nas férias do início e do meio do ano, os brasileiros têm vantagem de encontrar vôos fretados direto de São Paulo para a ilha. Julho representa a alta temporada caribenha e muitos norte-americanos se mandam para lá nessa época, mas, em geral, as praias da ilha permanecem calmas e sem grandes lotações. Evite viajar entre o fim de agosto e novembro, época de furacões e tempestades tropicais no Caribe.

No Caribe faz calor o ano todo, então não esqueça o protetor solar e um chapéu para cobrira a cabeça. Leve também protetor labial para se proteger e uma mala extra para trazer as compras que, provavelmente, você fará na ilha.

Prefira os hotéis que ficam mais afastados das capitais, mesmo que tenha de pagar um pouco a mais por isso. As praias que os cercam são mais bonitas e, uma vez nelas, o acesso ao centro é muito simples. Maho Beach é uma boa pedida por ter boa vida noturna e ficar próxima a Simpson Bay, onde ficam os melhores restaurantes da ilha.