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Salvador

A primeira capital do Brasil e a cidade mais importante do país durante quase 200 anos, não fica atrás das demais capitais brasileiras. Que dirá os versos de amor à terra nas canções de Gilberto Gil, Dorival Caymmi, João Gilberto e até de Vinícius de Moraes, que nem baiano era mas logo encantou-se com as formas das mulatas e as tardes em Itapuã.

Salvador, no entanto, leva vantagem na disputa quando o assunto é turismo. Recebe mais visitantes em férias, tanto de brasileiros quanto de estrangeiros. Aliás, é a cidade preferida dos turistas gringos, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro.

Salvador foi perspicaz ao restaurar, a partir do início dos anos de 1990, o bairro do Pelourinho, hoje a essência cultural e turística da cidade. Trata-se de um passeio histórico delicioso e bem prático, já que tudo está concentrado ali, no mesmo corredor que vai da Igreja do Carmo à Praça Castro Alves.

São cerca de 800 casarões e meia dúzia de igrejas, entre elas a estonteante Igreja do Convento de São Francisco, a mais rica em ouro do Brasil, com cerca de meia tonelada do metal nos entalhes barrocos do altar-mor e dos altares laterais. Algo imperdível é a apresentação Som e Luz (11h e 16h de segunda e quarta) que conta, na voz suave de Fernanda Montenegro, a história de Salvador e da construção do templo.

O vai-e-vem de gente nas ruas de pedras do Pelô, onde carros são proibidos de circular, não pára dia e noite. Gasta-se facilmente um dia inteiro passeando pelo Pelourinho, o que inclui visita ao Museu Casa de Jorge Amado e ao Museu Afro-Brasileiro.

Pelo ar, pelo mar ou pela terra, seja qual for a sua opção todos os caminhos lhe convidam à Salvador da Bahia. A cidade está localizada em um ponto privilegiado do atlântico sul, o que faz dela atrativa e acessível a todo o mundo.

A forma mais rápida e confortável é chegar de avião, mas também é possível chegar através de rodovias nacionais e regionais e pela via marítima, através de lanchas que aportam nas marinas ou em um dos muitos cruzeiros que aportam no porto da cidade.

A história começa 48 anos antes da fundação da cidade, com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501, pelo navegador Américo Vespúcio. Só em 1549, uma armada portuguesa, sob o comando de Thomé de Sousa, já nomeado governador-geral do Brasil, aportaria onde hoje está a Praia de Porto da Barra para fundar a primeira capital da colônia.

O trecho que vai da Praça Castro Alves até a Praça Municipal, no alto da falésia, de frente às águas da baía, foi o local escolhido para sediar as casas dos moradores mais ilustres, enquanto a parte baixa ficou reservada ao porto e à área de comércio.

Salvador prosperou com a riqueza da exportação de cana-de-açúcar produzida na região do Recôncavo Baiano. Mas perdeu importância econômica com a descoberta de ouro em Minas Gerais. Com isso a capital foi transferida para o Rio de Janeiro em 1763.

O melhor dia para visitar o Pelô é às terças, quando ocorre a curiosa missa negra na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (a partir das 18h), um marco do sincretismo baiano, já que a cerimônia católica mistura elementos do candomblé, com som de atabaques e oferenda de pães. Depois da missa, há um show com Gerônimo, músico bem conhecido em Salvador, em frente às escadarias da Igreja do Paço.

Ao final da Praça Castro Alves está o famoso Elevador Lacerda, construído em 1920 para facilitar o acesso entre a Cidade Alta, onde está o Pelourinho, e a Cidade Baixa, que no período colonial era a área reservada ao porto e ao comércio. Bem em frente ao elevador fica o Mercado Modelo, o principal centro de compras de artesanato de Salvador, e o Forte de São Marcelo, uma curiosa construção circular do século 18 cujos muros parecem brotar diretamente da água. Barcos fazem a travessia para a visitação ao forte a cada 20 minutos.

Na Cidade Baixa está a famosa Igreja do Bonfim, onde é realizada uma das mais importantes festas do calendário religioso baiano: a Lavagem do Bonfim.

Praias
A cidade abriga 40 km de praias, mas pouca coisa se salva entre as praias centrais, que são poluídas e sem qualquer projeto paisagístico. A exceção cabe à pequena Porto da Barra, com mar verde transparente, decorada por uma muretinha branca e dois fortes, um em cada ponta. Mas a praia lota completamente nos finais de semana.

Bem próximo a ela está o Farol da Barra, que indica aos navegadores o encontro das águas da Baía de Todos os Santos com o mar aberto.

Se quiser tranqüilidade, vá direto ao final da Praia de Itapuã, onde ficam os barquinhos de pesca e o farol, a 40 minutos de carro do centro da cidade.

Ou até mais adiante, ao Flamengo, ainda mais pacata e com barracas com deques de madeira debruçados na praia. Mas convém chegar cedo se quiser encontrar vaga na Barraca do Lôro, a mais transada, que disponibiliza espreguiçadeiras e almofadões.

Puxada na pimenta e no azeite de dendê, as moquecas são a expressão máxima da culinária baiana. Se trocar peixe por camarão e engrossar o caldo com farinha de mandioca, vira o bobó. O cardápio é vasto e os nomes, bem sonoros: sarapatel, caruru, vatapá... Para o estômago pouco acostumado, convém maneirar. Mas não deixe de provar.

O melhor acarajé come-se nas barracas da Dinha e da Regina, no Rio Vermelho, e da Cira, em Itapoã. No Pelourinho, há bons pratos regionais no Restaurante do Senac (Praça José de Alencar s/no), no Sorriso da Dada (R. Frei Vicente, 5), no Jardim das Delícias (R. João de Deus, 12), no Conventual (dentro do Convento do Carmo) e no Maria Mata Mouro (R. 3ª Ordem de São Francisco, s/no).