Destino: Nova Delhi
No imenso aglomerado urbano formado por Delhi e Nova Delhi se distinguem momentos diversos da história da Índia. Um passeio pelas ruas da cidade equivale a uma viagem no tempo, em que se admiram desde monumentos do ano 1400 a.C. até construções do período colonial britânico, encerrado com a independência no meado do século XX. Nova Delhi, capital da Índia desde 1912, faz parte do território federal que compreende a antiga Delhi, popularmente conhecida como Velha Delhi, outros núcleos urbanos menores e áreas rurais adjacentes.
Localiza-se no centro-norte do país, 160km ao sul da cordilheira do Himalaia, na margem ocidental do rio Yamuna, afluente do Ganges. O clima é extremamente seco, com verões muito quentes, invernos frios e um período de chuvas de monções que se segue ao verão. É marcante o contraste entre as estreitas e congestionadas ruas da Delhi antiga e o traçado diagonal e ordenado de Nova Delhi. Em relação à cidade velha, que tem duas vezes (em alguns bairros cinco vezes) sua densidade populacional, Nova Delhi se mostra mais espaçosa e calma, especialmente nos bairros residenciais mais ricos, na zona norte da cidade. Alguns bairros da cidade velha ainda se apresentam como comunidades fechadas, mas a estrutura social global tornou-se mais heterogênea devido à afluência de migrantes de outros estados indianos e de países próximos.
Na paisagem de Nova Delhi domina o Central Vista Park, principal eixo leste-oeste, ao longo do qual se situam os edifícios do governo, museus e centros de pesquisa. A avenida divide a cidade em duas, com o principal centro comercial, Connaught, ao norte, e os bairros residenciais ao sul.
A antiga Delhi foi várias vezes capital dos reinos que se sucederam no centro e no norte da Índia. As primeiras referências escritas à cidade constam da epopéia Mahabharata, que cita uma cidade chamada Indraprastha, construída por volta do ano 1400 a.C. na área onde mais tarde foi erguida Delhi. A primeira alusão ao topônimo Delhi remonta ao século I a.C., quando o rajá Dhilu deu seu nome ao assentamento que fez construir perto do local onde mais tarde seria erguida a torre de Qutb.
No século XII da era cristã, Delhi converteu-se na capital do reino governado por Prthviraja III. No final desse século caiu em poder dos muçulmanos que invadiram a Índia, mas o sultão Qutb-ud-Din Aibak, construtor da admirável torre Qutb, manteve a cidade como capital. Delhi perdeu essa condição para Firuzabad em 1354, mas cresceu e recebeu novas fortificações. Os conquistadores mongóis, chegados em 1398, restabeleceram-na como capital. Sucederam-se períodos de decadência e prosperidade em que a cidade foi conquistada e perdida pelos imperadores mogóis. Finalmente, em 1912, os britânicos transferiram a capital colonial de Calcutá para Nova Delhi, cuja construção se estendeu até 1930.
A população e as atividades produtivas do grande núcleo urbano se concentram basicamente na Velha Delhi, enquanto Nova Delhi funciona como centro administrativo. A metrópole é um imenso entroncamento de vias de transporte rodoviário e ferroviário de passageiros e cargas de todo o país. A capital é servida ainda por dois aeroportos: um internacional e outro para vôos domésticos. Em Nova Delhi, o setor de serviços, especialmente governo e administração, é o principal empregador e a mais importante atividade econômica. Na última década do século XX, instalaram-se pequenas e médias empresas de produtos eletro-eletrônicos e autopeças. O artesanato tradicional, como o entalhe em marfim, pintura e objetos de cobre e bronze, assim como tecidos e roupas bordados a mão, continuam a ter grande importância econômica. Centro financeiro dominante do norte da Índia há séculos, Nova Delhi abriga a sede do Banco Central e tem uma importante bolsa de valores.
Os monumentos arquitetônicos de Nova Delhi datam virtualmente de todos os períodos da história da Índia, desde a dinastia Gupta, do século IV da era cristã, até o domínio britânico. São especialmente notáveis os edifícios do período mogol, como o Lal Qalah (Forte Vermelho), e a esplêndida mesquita de Jami.
A cultura em Nova Delhi
Dizem que ninguém volta igual depois de uma viagem à Índia. É verdade. E Nova Delhi resume bem as contradições desse país que une a milenar cultura indiana com o que há de mais moderno no mundo. Nas ruas da capital, as vacas contrastam com os edifícios recém-construídos. As mulheres vestidas de sáris aparecem em carros do ano. Tudo em meio a um trânsito caótico, onde carros, motos, rickshaws e pedestres brigam por um espaço nas ruas cheias de lixo. Não é bobagem dizer que lembra o cenário de um filme. Para entender Nova Delhi é preciso se despir de preconceitos e se abrir para receber uma nova cultura.
Na Índia é tudo muito barato, mas antes de comprar ou contratar um serviço é preciso negociar. A pechincha faz parte do comércio e para se dar bem é preciso ter paciência e cara de pau. Nunca pague mais do que a metade do valor oferecido inicialmente, principalmente em roupas ou artesanatos. Não demonstrar muito entusiasmo com o produto, também ajuda a baixar o preço. Só dá para ter certeza de quanto custam os refrigerantes, salgadinhos e bolachas industrializados. Eles vêm com os valores marcados de fábrica na embalagem.
A Índia é um país extremamente religioso. Por onde se olha, há imagens de um dos milhares de deuses do hinduísmo, a religião mais comum. Brahma, Shiva e Vishnu são os mais importantes e foram responsáveis para a formação do mundo como é hoje. Outros deuses bastante adorados são o Ganesha (aquele que tem muitos braços e uma cabeça de elefante) e o Krishna (que anda tocando uma flauta). A entrada nos templos é permitida aos turistas, mas é preciso deixar os sapatos do lado de fora e as fotos são proibidas. Todos os dias, no final da tarde, preces religiosas são entoadas nas ruas ou nos templos.
Andar nas ruas em meio a um trânsito caótico --São Paulo é um exemplo de organização se comparada à Nova Delhi--, não é fácil. Os carros não respeitam as faixas e é preciso "se jogar" para atravessar a rua. Por sorte, as condições das vias são muito ruins e os veículos não conseguem correr. A melhor maneira de cruzar a cidade são os rickshaws (triciclos motorizados que levam até três passageiros), mas nunca entre em um antes de negociar o preço.
Um pouco de conhecimento do vocabulário hindu pode ajudar na interação com as pessoas. Namaste é uma maneira respeitosa de se cumprimentar ou de se iniciar uma conversa. Os indianos têm muita curiosidade em conhecer os estrangeiros (não se espante se alguém pedir para tirar uma foto sua), e vão caprichar no inglês para conseguir se comunicar. Ram Ram significa boa sorte e é uma maneira mais informal, mas muito simpática, de saudação. Shukriáh ou Deniwad querem dizer obrigado.
A gastronomia Nova Delhi
A Índia tem padrões de higiene muito diferentes dos brasileiros. Para garantir que a maior parte da sua viagem será gasta em pontos turísticos, e não em uma cama de hotel, algumas precauções precisam ser tomadas. Só beba água mineral de garrafa (e sempre cheque se o lacre está realmente fechado). As ruas de Nova Delhi estão repletas de barraquinhas de comidas típicas, mas provar alimentos fora de restaurantes pode ser perigoso. Mas não se preocupe, todo tipo de comida indiana é servida nos restaurantes, como o saboroso Gulab, um doce que pode ser acompanhado de calda de açúcar ou de frutas. A maioria dos pratos é servida com chapatis, um pão fino feito de farinha de trigo, que ajuda a aliviar o gosto forte dos temperos indianos.
Por ser um símbolo de prosperidade, a vaca é um animal sagrado, ela está em todas as partes nas ruas indianas, mas nunca no seu prato. Então para aqueles que não abrem mão de comer carne, a dica é provar as receitas de carneiro ou de galinha, bastante comuns na região. Os pratos tandoori (maneira típica de assar) são uma boa opção. Para quem quiser provar os pratos vegetarianos, a dica é o delicioso panner kofta, bolinhas de queijo de cabra imersas em molho com especiarias. No café da manhã, os curds (um tipo de iogurte) ajudam a começar bem o dia, e a qualquer momento, um chá de massala é uma boa pedida. Ele é servido em todos os lugares, inclusive em lojas. Feito com leite e uma mistura de especiarias é o sabor e o aroma da Índia, mas só tome se tiver certeza que a água foi fervida.
Quando o corpo pedir um descanso dos temperos indianos, alguns restaurantes que servem pratos ocidentais como pizzas, massas e hambúrgueres, são uma boa opção.
Roteiros de Nova Delhi
No país dos marajás a pobreza está por todos os lados e a sujeira costuma ser um problema para os viajantes. As ruas estão cheias de excrementos das vacas, os homens têm o hábito de cuspir no chão e, em vez de coleta de lixo, em alguns lugares a sujeira é recolhida e depois queimada. Poucos lugares têm papel higiênico -mesmo em hotéis- por isso, é importante levar um rolo na mochila. Géis antissépticos ajudam a limpar as mãos antes das refeições e anti-histamínicos e colírios pode ser úteis aos alérgicos à poluição.
Do lado moderno está a vida noturna em Nova Delhi, que é agitada como em poucas cidades da Índia. Centenas de bares e casas noturnas surgiram nos últimos anos e os mais animados oferecem pistas eletrônicas bombando até de madrugada. A cidade está cheia de boas opções de restaurantes de comida apimentada que podem custar de R$ 5 a R$ 50, além de refeições tipicamente ocidentais.
Como as indianas não andam sozinhas na rua, as turistas desacompanhadas vão inevitavelmente chamar atenção e ser alvo de assédio. Para se proteger, cubra sempre os braços e as pernas e não use roupas justas. Calças do estilo 'ali-babá' são uma boa pedida. Mas não deixe os contratempos tirarem seu humor. Aguce seus sentidos e se deixe levar pelos encantos de Nova Delhi.
O bairro antigo da cidade, Old Delhi, é um labirinto de ruas de trânsito intenso adornado pelas havelis, as antigas mansões indianas. Além do Forte Vermelho e da Jama Masjid, a maior mesquita do país, o bairro tem comércio intenso. Os temperos indianos seduzem com suas cores, texturas e aromas.
Connaught Place é uma região repleta de lojas estrangeiras como Puma e Benetton. Para matar as saudades da comida ocidental, há um Friday´s e um Mc Donald´s nas ruas circulares. Próximo aos restaurantes há um cinema onde se pode conferir as produções de Bollywood, preferência nacional (os filmes não são legendados, mas os roteiros água com açúcar são fáceis de acompanhar). Em uma das transversais está a única informação turística oficial da cidade e, logo ao lado, o restaurante Saravana, que oferece boa comida local. Parahargani fica entre as duas regiões. Lá está o Main Bazaar, uma rua de comércio que lembra a 25 de março em época de natal. Batas, xales e artesanatos podem ser encontrados a preços baixos. Mesmo assim, nunca deixe de pechinchar.
Serviços de Nova Delhi
Não há voos diretos para Nova Delhi. Prepare-se para encarar pelo menos 20 horas de viagem. A maioria das rotas passa pela Europa e essa costuma ser a maneira mais rápida. O aeroporto internacional é uma boa introdução à desorganização indiana. Fique atento às malas, elas podem aparecer nos corredores entre as esteiras sem você ter tirado. Para chegar ao centro da cidade, que fica a 20 quilômetros do aeroporto, a melhor maneira é pegar um táxi. A corrida dura cerca de meia hora e guichês oferecem táxis pré-pagos dentro do aeroporto. Reserve o seu antes de passar pelo controle de malas para garantir sua viagem. Pode ser difícil conseguir um táxi na rua. Nessa área, os rickshaws (triciclos motorizados com cabines acopladas, muito populares no país) não são permitidos. Outra opção é pegar um ônibus que vai até o centro de Nova Delhi passando pelos principais hotéis da cidade. Custa menos, mas não tem horário fixo de partida. O balcão de vendas fica logo na saída do aeroporto.
Visto - A Índia exige visto para entrar no país. O visto de turismo pode ter validade de seis meses ou de um ano. Para dar entrada no visto, que fica pronto em cerca de três dias úteis, é necessário que o passaporte tenha pelo menos seis meses de validade, um comprovante de vacinação contra a febre amarela, preencher um formulário (que está disponível no site www.indiaconsulate.org.br, uma foto 3X4 e pagar uma taxa. Atenção, quem fizer a viagem pelos Estados Unidos também precisa de visto americano.
Se movimentar por Nova Delhi não é tarefa fácil. Na cidade, não há placas com os nomes das ruas. É preciso procurar pontos de referência como templos, palácios ou grandes cruzamentos para se localizar. Tenha sempre um mapa a mão, eles podem ser encontrados em grandes hotéis ou no centro de informações turísticas. Mas atenção, as ruelas (Nova Delhi está cheia delas) não aparecem nos mapas. Então, na hora de procurar ou contar as ruas, só considere as maiores. Nova Delhi só tem um centro de informação turística do governo, que fica em Connaught Place (88 Janpath; veja no mapa). Apesar de se auto denominarem assim, os outros locais são agências de turismo disfarçadas, que ao invés de ajudar, tentam vender passeios.
A maneira mais fácil de atravessar grandes distâncias é de rickshaw, um triciclo com uma cabine acoplada. Custa a metade do preço de um táxi e pode ser encontrado em toda parte. Mas nunca entre em um sem antes negociar o preço: como tudo na Índia, é preciso barganhar. Não tenha vergonha de pedir menos da metade do valor proposto e seja insistente. Normalmente uma corrida vai custar entre R$ 2 e R$ 3.
Os cicle rickshaws (bicicletas que levam até dois passageiros) são uma boa opção para caminhos curtos e planos. As viagens custam mais barato que as de rickshaws motorizados, mas também demoram mais tempo.
Quem quiser mais conforto, ou dispõe de menos tempo na cidade, pode contratar um motorista em uma das agências de viagem espalhadas pela cidade. A vantagem é que o condutor faz as vezes de guia turístico também. Mas explorar a cidade por conta própria pode ser uma deliciosa experiência.