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Mumbai

Bombaim, ou Mumbai, como ela é agora oficialmente conhecida, decerto merece o apelido de Cidade Máxima. A cidade abriga a mais antiga bolsa de valores do país, seus mais importantes bancos, os mais ricos magnatas dos negócios, as mais belas estrelas de cinema e os bandidos mais temidos.

Mumbai quer dizer Bollywood, onde centenas de filmes são produzidos a cada anos, com números musicais ostentando canções sentimentais e chuva de estúdio que faz com que os saris se colem aos corpos voluptuosos das atrizes. Em termos de volume bruto de produção, Bollywood supera em muito Hollywood.

Ao longo dos séculos, muitos observadores criticaram ou atacaram a beleza de Mumbai. Poucos a amaram, e um número ainda menor de pessoas deixaram suas marcas na cidade.

É preciso certo tempo para compreender porque esta cidade continua a atrair um fluxo incessante de forasteiros que esperam ali fazer fortuna. Ela é desmesurada, asfixiante, superlotada, poluída, sufocante, atravancada, congestionada pelo tráfego.

Mumbai possui a maior indústria cinematográfica do mundo e todo indiano que quer fazer carreira no cinema se instala aqui. A tal ponto que as estrelas esquecidas do Ocidente assinam contratos para aparecer nos filmes hindus, na esperança de encontrar uma nova juventude. Aqui, os atores assemelham-se a deuses e jovens de todos os meios lutam para conseguir um pequeno papel. O pessoal do cinema mora em casas grandiosas em subúrbios barulhentos e vive sob o temor permanente de um telefonema de um chefão da máfia para extorquir-lhe dinheiro.

Na Índia, cultiva-se todo tipo de malaguetas, de tamanhos, cores e sabores diferentes, que vão desde a malagueta dhane , de sabor ácido, própria de Mizoram e de algumas zonas de Manipur, até a muito picante Sangli sanam, da zona de Maharashta, passando por variedades da Caxemira, como a Madras pari.

Os mais apreciados são o açafrão e a cúrcuma. Há também o gengibre fresco, o cardamomo, o cominho, as sementes de coentro, o cravo ou a canela, o feno-grego, a noz-moscada, a pimenta-do-reino, a menta, a hortelã, as sementes de mostarda e o tamarindo. Porém, não se encontra na Índia referências a uma especiaria ou mistura de especiarias com o nome de curry. Os hindus chamam curry ao ensopado de legumes, carne ou de peixe.

Talvez, o que os ingleses levaram de volta para o seu país com o nome de curry foi uma versão da masala. A masala é uma requintada mistura de condimentos, ervas e plantas aromáticas que chega a incluir até trinta ingredientes diferentes e que, apesar de ser preparada de forma diversa em cada casa do país, constitui um dos traços de identidade da cozinha indiana.

O indianos também utilizam na cozinha de modo particular os derivados do leite, valorizados pelos hindus, que os consideram capazes de reforçar a espiritualidade do indivíduo. O fato é que a presença do raita, da ghee e do panir se estende por toda a gastronomia.

As lentilhas e o grão-de-bico (dal e chana) também fazem parte dos ingredientes indianos. São empregados em ensopados, frituras e nos pães indianos. Os pães hindus podem ser como o chapati, leves ou macios, como o rumali-roti, consumidos em forma de lâminas muito finas e crocantes, preparadas na chapa, ou como o nan, macio, e de forma triangular.

Das quatro maiores cidades da Índia, Mumbai é a mais cosmopolita. No entanto, em meio ao caos natural de uma metrópole de 3° mundo, é possível encontrar fortes amostras da rica cultura indiana, como na arquitetura de templos sagrados e na gastronomia. É uma das principais portas de entrada para quem vai à Índia.

A "cidade dos sonhos" da Índia é a primeira parada natural para quem quer que visite a costa oeste do país. Ainda que seja mais conhecida como capital empresarial da Índia e sede da maior indústria cinematográfica do mundo, Mumbai tem muito mais a oferecer.

A visita começa por um dos ícones da cidade, o Portão para a Índia. Trata-se de um arco imenso construído pelos ingleses na saída do porto de Mumbai, para comemorar a visita do Rei George V e da Rainha Mary ao país, em 1911. O Império Britânico tinha grandes ambições ao conceder à Companhias das Índias Orientais uma licença de exploração sobre todo o comércio com as "Índias Orientais", as quais incluíam a seqüência de ilhas que originalmente formavam a cidade de Mumbai. Elas foram conectadas por meio de terraplenos.

O Portão marcava o local em que os navios desembarcavam os comerciantes, funcionários do governo e migrantes que ajudaram a dar forma à estonteante cidade em que Mumbai se converteu. Hoje em dia, o Portão e o parque em que está instalado servem de cenário a encantadores de serpentes, equilibristas, mágicos e outros artistas de rua.

Os migrantes desempenharam papel crucial na história da cidade. Atravesso a rua do Portão para o hotel Taj Mahal, uma glória em estilo vitoriano construída em 1903 por um empresário de origens persas e indianas, Jamsetii Tata. O folclore local dispõe que Tata foi proibido de se hospedar no melhor hotel da cidade, o Watson's, reservado aos britânicos e aos brancos. A resposta dele foi construir o Taj Mahal e decretar que o hotel teria o melhor atendimento do mundo. Desde então, o estabelecimento criado por Tata sempre esteve nas listas de melhores hotéis do planeta. O Watson's? Ninguém mais se lembra dele.

A península abriga igualmente um dos mais antigos e sagrados locais da cidade: o Banganga, complexo de templos construídos 400 anos atrás e centrado em uma fonte de água sagrada, que se diz originária do rio Ganges, reverenciado pelos hindus. Outro local de grande popularidade é o templo da seita jain, repleto de decorações fantasiosas, construído em 1904 pelos devotos desse credo hinduísta que prega a não violência e a negação do ego.

Um bom passeio se encerra na praia de Chowpatty. Não é um lugar onde se possa nadar, mas se tornou um dos lugares prediletos da cidade para assistir ao pôr do sol. Famílias, casais de namorados, trabalhadores, empresários vão à praia para caminhar na areia, e comer salgadinhos de arroz temperado com especiarias, servidos em cones de papel.

A praia serve como contraparte noturna ao encontro matinal das multidões no Portão da Índia, e fecha com perfeição o círculo da vida que Mumbai representa tão bem.