Entre a costa africana, montes nevados e o Saara, Marrakech revela o lado mais exótico da cultura muçulmana no Marrocos.
As distâncias religiosas e de costumes, sobretudo em tempos de conflito no Oriente Médio, exercem enorme fascínio e receio aos viajantes ocidentais que se aventuram no exótico mundo muçulmano. Localizada no centro-sul do Marrocos, Marrakech é uma ótima opção para se conhecer a genuína cultura islâmica com conforto e segurança.
Na encruzilhada entre o Saara e o litoral atlântico da África, a cidade é a mais preservada de influência européia em relação a outros pontos turísticos ao norte, como Casablanca, Tanger ou a capital Rabat. Marrakech tem também ótima infra-estrutura turística e clima acolhedor aos estrangeiros, além oferecer roteiros nos arredores que vão desde um passeio à costa, visita aos picos nevados do Atlas ou dormir no deserto.


Um das características mais fascinantes da cultura muçulmana é a estreita relação entre comércio e religião. O profeta Maomé, fundador do islamismo do no século 7, foi um próspero mercador em seu tempo, o que reforça vocação desse povo ao comércio. Em Marrakech, é difícil saber os limites entre fé e negócios, duas características muito frequentes dentro da Medina, o centro antigo, circundado por uma grande muralha, que era usada no passado para a defesa da cidade.
Do outro lado da Mesquita Kutubiyya nasce a praça Djemaa El-Fna. É dali que se espalha o grande mercado central, o souk. A primeira visão impressiona. Milhares de homens em roupas típicas e mulheres de véu da cabeça aos pés; músicos com macacos, encantadores de cobras, vendedores de tâmaras e charretes passando apressadamente. Os marroquinos assediam muito os turistas, mas há poucos pedintes. Todos querem oferecer alguma coisa. Embora assuste um pouco, o povo é muito cordial e assaltos são incomuns. Vale, claro, ficar sempre de olho na mochila e não expor objetos de valor.
Com um milhão de habitantes, Marrekch é uma das metrópoles mais emblemáticas do Magreb, que compreende toda a região de domínio cultural muçulmano no norte da África. Outro traço marcante da cidade é seu trânsito frenético de motocicletas, carros velhos e carroças que obriga o visitante a ter muita atenção ao caminhar nas ruas e até pelas calçadas. Por outro lado, oferece tranquilos refúgios em praças e parques, onde os marroquinos, muito conversadores, se encontram para pôr o assunto em dia.
Há ainda uma elegante área nova, fora da Medina, o bairro de Guéliz. Ali se concentram os hotéis de luxo, novos edifícios comerciais, bares e restaurantes da moda, onde se destaca a culinária contemporânea, sobretudo de influência francesa. Marrakech atrai também o turismo cinco estrelas com enormes resorts e campos de golfe.
Nessa terra, os limites incertos entre Ocidente e Oriente, fé e secularismo, desafiam os estereótipos e despertam ainda mais a admiração dos viajantes. Marrakech mostra que o mundo muçulmano segue a seu próprio ritmo, como em uma longa caravana pelo deserto.
O cardápio infalível é o cuscuz marroquino e um de seus "primos", o tahine, ambos feitos à base de especiarias, verduras e carne de frango, boi ou carneiro. Como bebidas alcoólicas são caríssimas e difíceis de encontrar, os sucos de laranja e de limão frescos são uma ótima pedida. Para sobremesa, a deliciosa pâtisserie franco-marroquina, acompanhada de chá de menta, a bebida típica do país, fecham a refeição perfeita.


Os tempos de glória muçulmana estão muito presentes nos jardins, belíssimos palácios e mesquitas, como a Kutubiyya. Seu imenso minarete pode ser visto a quilômetros de distância, enquanto logo abaixo se abre um imenso jardim com laranjeiras e palmeiras. Infelizmente, o acesso aos templos é vedado aos não-muçulmanos. A única opção de visitação ao turista é a grande mesquita de Casablanca.
Enquanto você se embrenha pela Medina e pelos seus souks, é possível que ao entrar numa loja ou cubículo de artesanato um local lhe ofereça um “thé à la menthe” acompanhado de uma oferta de um produto. É um gesto comercial mas gentil. É muito doce, mas não se deve recusar.
O povo Marroquino, especialmente o de Marrakech, é encantador. A gente tem que relevar um pouco a insistência de vendedores que abordam os turistas, até mesmo as mulheres que querem fazer tatuagens de hena (quase à força!). Passear por Marrakech, não apenas por seu Souk e pela Djema el Fnaa, mas por sua Medina, é uma experiência das mais agradáveis do ponto de vista do "relacionamento" humano.
É muito engraçado encontrar essa cidade déco num lugar que vocé esperava ter a mesma cenografia de um baile de carnaval (tema: "Uma noite no Marrocos"). Mas acredite: se em vez desse pessoal de camisolão dirigindo charretes de turistas você visse americanos sem camisa andando de patins in-line, dava para jurar que aqui era algum bairro escondido de Miami Beach.
Não ande com objetos de valor à mostra e fique atento com bolsas, sacolas e carteiras.
Para não chamar atenção demais, no caso das mulheres, prefira utilizar cabelo preso e roupas discretas, evitando shorts, minissaias e regatas. Braços, pernas e cabelos à mostra são tabus na cultura muçulmana. Ainda assim, não há hostilidade contra os trajes ocidentais.
Andar acompanhado, principalmente nos mercados e à noite, evita problemas. Não é comum ver mulheres nas ruas depois das 22h.
Procure certificar-se de que sucos sejam feitos com água engarrafada e evite o consumo de gelo.
Vacinas - Não são necessárias.