Foto Ilhabela

Ilhabela

A maior ilha marítima do Brasil com quase 90% de sua área dentro de um parque estadual, resultando em uma das principais porções de mata atlântica do País –, Ilhabela tem cada vez mais boas opções de gastronomia e hospedagem, algumas na linha sofisticada, caso da Pousada Solar Singuitta e do DPNY Beach, abertos há pouco mais de um ano.

Como as construções locais estão superintegradas à mata, sem nenhum prediozinho roçando o céu (até porque é proibido erguer prédios lá), a ilha é um lugar lindo de se ver. Tudo nos “trinques” para imediatamente relaxar quem pega o trânsito carregado dos meses de verão e dos feriadões para chegar a São Sebastião, a 206 km de São Paulo (SP) e, de lá, ainda tem de atravessar de balsa até a ilha. Ainda porque, para quem não faz reserva com a Dersa, administradora das travessias no litoral paulista, é preciso enfrentar filas gigantes na balsa na alta temporada.

À noite, os trajes de banho dão lugar a um look mais arrumado, já que é hora de cair na balada, sempre mais animada nos meses de verão. Nessa época, a ferveção chega a níveis máximos com o Ilhabela Summerstage. O festival, realizado todos os anos e recém-encerrado, ocorre num espaço no Saco do Indaiá, com foco no som eletrônico e suas vertentes, mas também com shows de soul, samba-rock e hip hop.

Ilhabela está a 213 km de São Paulo, além de mais 15 minutos de travessia de balsa a partir de São Sebastião. Da capital paulista, pode-se pegar a Rodovia Carvalho Pinto ou a Rodovia Presidente Dutra, seguindo até São José dos Campos. De lá, pega-se a Rodovia dos Tamoios, passando por Caraguatatuba e São Sebastião, onde há placas indicando a localização da balsa. Quem sai do Rio encara 452 km de estrada. Pode-se simplesmente seguir pela Rio-Santos até São Sebastião – a estrada, porém, é bastante sinuosa. Para evitar tantas curvas, a opção é cair na Dutra até São José dos Campos e lá pegar a Rodovia dos Tamoios para Caraguatatuba.

Para quem tem espírito aventureiro, a melhor opção é seguir para a Praia do Bonete, só alcançada de barco ou caminhando por uma trilha que começa em Borrifos, no extremo sul da ilha e ponto final da estrada asfaltada. Pelas quatro a seis horas seguintes, dependendo do ritmo dos caminhantes, aparecem três cachoeiras, uma pousada (a Canto Bravo, essencial para o pernoite dos turistas que fazem o percurso totalmente a pé) e a vila de pescadores.

Os nativos vivem de maneira simples, fazem canoas escavando troncos de árvores e, como muitos têm cabelos bem loiros, reza a história que são descendentes dos muitos piratas europeus que ainda hoje rendem bons “causos” ilhéus.

No lado oposto a Bonete, ou seja, no extremo norte, já em estrada de terra, mas acessível a carros de passeio, fica outra jóia da ilha: Jabaquara, que tem dois riachos, um em cada canto da praia. Se você fizer um passeio de escuna, é aí que a embarcação vai parar para o almoço, que tem vez no Canto do Jabaquara.

Felizmente, Ilhabela cura esses males urbanos. O remédio? Para começar, 39 praias, muitas com trilhas que levam as cachoeiras de altura considerável. A dobradinha praia bonita + cachoeira alta pode ser conseguida com a ida a Castelhanos, uma praia com uma extensa faixa de areia e ondas fortes, procuradas pelos surfistas – e que, vez por outra, figura na lista das praias mais belas do Brasil.

Chegar a esse pedaço, no entanto, não é bolinho, já que Castelhanos fica no final de uma estrada de terra com pouco mais de 20 km, a única que corta a ilha no sentido leste-oeste. A distância é até curta, mas o trajeto – que continua com uns baitas buracos fundos mesmo depois da recente recuperação feita pela prefeitura – só é vencido por veículos 4x4.

O traslado, feito em cerca de 1h30 na ida (e mais 1h30 para a volta) e que também pode ser realizado por via marítima, é oferecido por diversas agências de Ilhabela.

Ao chegar a Castelhanos, pode-se simplesmente curtir o sol e o mar e ficar petiscando em alguma barraca. Ou partir rumo ao canto esquerdo da praia, para uma trilha de 40 minutos que leva à Cachoeira do Gato, cuja queda tem 80 metros. Nesse caso, abuse do repelente, pois os borrachudos, presença constante em qualquer parte da ilha, atacam ainda mais nos arredores das cachoeiras.