Há bem poucos anos Dubai não despertava sonho ou interesse em ninguém. Aliás, pouca gente tinha ouvido falar dessa cidade, um dos sete Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio.
Para olhos ocidentais era apenas uma pequena interrogação fincada nas areias de um deserto sem fim onde nada poderia existir além de calor e pó. Nem mesmo a informação sobre as praias de águas muito azuis às margens do Golfo Pérsico ajudaria a convencer alguém a viajar para lá. Golfo Pérsico? Nos anos de 1990 esse nome soava algo como Faixa de Gaza ou sul do Líbano hoje em dia.
Mas as coisas mudaram por lá. E mudaram rápido. Em apenas três décadas Dubai passou de vilarejo de mercadores árabes a um dos destinos de luxo mais cobiçados do mundo. Não era nada e inventou-se completamente. Transformou-se num ícone de modernidade, onde prédios futuristas, shoppings gigantescos e hotéis sete estrelas brotaram das areias por onde circulavam apenas camelos. Dizem que tudo é possível em Dubai. Pode ser mesmo.


A primitiva Dubai floresceu ao longo de dez quilômetros às margens do Rio Creek. Por séculos, seus habitantes sobreviveram de um parco comércio proporcionado pela única vantagem competitiva que poderiam usufruir, a posição geográfica estratégica, na boca de entrada do Golfo Pérsico.
A grande mudança aconteceria a partir de 1966 com a descoberta de petróleo na região, cuja lucrativa exploração financiou o rápido crescimento. O xeque da época, Rashid Bin Saeed, considerado o “pai de Dubai”, foi o primeiro de uma geração de governantes que obsessivamente trabalhou nos alicerces da Dubai moderna. Primeiro vieram os portos de Mina Rashid e Jebel Ali, o aeroporto Emirates, hospitais e um eficiente sistema educacional.
Em 1990, seu filho, o xeque Maktoum Bin Rashid, assume o comando administrativo. Ele viria a ser o grande responsável pelas maiores mudanças arquitetônicas e culturais da cidade. A idéia era preparar o futuro para o inevitável fim dos estoques de petróleo com investimentos para diversificar a economia. O turismo recebeu atenção máxima, de onde vem atualmente a maior parte da grana que move as engrenagens das máquinas e paga a mão-de-obra imigrante a construir Dubai.
Arquitetura megalômana: Com dinheiro sobrando tanto quanto planos mirabolantes, Dubai se fez ao sabor da extravagância. Os shoppings gigantescos têm lojas das grifes mais famosas do mundo e a preços bem convidativos. O Dubai Mall, inaugurado no final de 2008, é o maior do mundo, e oferece como atrações uma pista de gelo e aquário com tubarões. Para os adultos, a melhor parte talvez seja o piso reservado aos eletrônicos, onde é quase impossível ir embora sem cobiçar a compra de um novo notebook.


No Gold Souk, qualquer visitante fica pasmo diante das centenas de lojas de ouro e de todo tipo de jóia, quase todas sempre cheias de clientes debruçados nos balcões e olhando vitrines, principalmente mulheres de burcas. É uma tradição nos casamentos árabes que a noiva se cubra de ricos tesouros conforme a capacidade do noivo em financiá-los.
Próxima à estação das abras fica um antigo souk com suas arcadas de madeira, ao longo de dois quarteirões abarrotados de lojinhas de artesanato, souvenires e roupas típicas. Homens podem conside¬rar, de repente, uma kandura árabe para o próxi¬mo baile à fantasia, enquanto as mulheres vão preferir um sari indiano, daqueles bem coloridos.
Deira e Bur Dubai são também as partes mais multiculturais da cidade. Então, aproveite-as. Caminhe, perca-se espontaneamente e fará ótimos achados. Dubai é bastante segura e praticamente não existem áreas não-recomendadas, com ressalva apenas para mulheres desacompanhadas. Muito das peculiaridades locais estão além dos pontos turísticos.
Aventura no deserto: Os árabes em Dubai nutrem um cari¬nho pelo deserto assim como os brasileiros por praias. É uma afinidade forte, herdada dos tempos em que todo os Emirados Árabes não passavam de um conjunto disperso de tribos de beduínos. A tradição cultural persiste em danças típicas, na música e na arte da falcoaria.
Domar poderosas aves de rapina era uma maneira eficiente de complementar a alimentação com carne de caça – aves, coelhos e outros animais pequenos que os falcões podem capturar.
Passear pelo deserto faz parte de qualquer viagem a Dubai. Uma espécie de pausa para a contemplação diante de uma paisa¬gem vazia e poeirenta, ao mesmo tempo única e misteriosa. Mas não há monotonia.
Os que receiam cozinha exótica podem relaxar. Dubai tem restaurantes de todas as origens, com preços aceitáveis e atendimento amável. Se você prefere pratos pouco controvertidos, jante nos shoppings, que têm desde lanchonetes de redes internacionais até restaurantes cosmopolitas de forma geral.
Outras opções: No Dubai Creek Golf & Yacht Club existem 5 restaurantes em frente ao canal que corta a cidade, com muita tranquilidade e belas vistas. Você pode escolher entre o Aquarium, especializado em frutos do mar; The Boardwalk, com pratos internacionais; ou o QDs (Quaterdeck), mais informal, que serve snacks e pizza. Há, ainda, o Legends, cuja proposta é ser uma steakhouse e o Lake View, que também oferece um cardápio internacional.
Documentos exigidos para entrada em Dubai: Além do passaporte, brasileiros precisam de visto. Informações e facilidades para conseguir o visto podem ser encontrados no si¬te da Emirates – emirates.com/br
Idioma: O árabe é o oficial, mas o inglês é falado pela maioria das pessoas, especialmente em áreas turísticas, devido ao grande número de estrangeiros
Moeda: Dirham
Fuso horário: sete horas a mais em relação a BrasíliaPara ligar a cobrar para o Brasil: não é possível. E, como ligações feitas a partir dos hotéis são caras, use a internet – muitos hotéis a oferecem de graça
Quando ir: O melhor período para visitar Dubai é entre novembro e março, quando o turista encontra tempo bom e agradável ao longo do dia. Bem dife¬rente do verão, entre maio e setembro, quando os termômetros ultrapassam os 40°C e a umidade do ar atinge os 90%. Nessa época, nem o mar ajuda a refrescar, já que a temperatura da água pode chegar a 37°C.