Quando a gente olha o mapa em direção à porção sul do globo, é a Antártica que deveria ser considerada o fim do mundo. Mas, quem leva essa fama é a Patagônia, mais uma maravilha da natureza - e bota maravilha nisso - que o Chile divide com a Argentina. Desde que o navegador português Fernão de Magalhães esteve na região, no século 16, conseguindo o feito de atravessar do Oceano Atlântico para o pacífico, o fim do mundo, ou melhor, a Patagônia tornou-se um território capaz de atrair exploradores de todas as estirpes. Muitos arqueólogos e montanhistas, como já seria de se supor, estiveram ali, e até mesmo um padre italiano, Alberto de Agostini, que entre os anos de 1920 e 1950 se embrenhou na região e foi o primeiro a fotografar e filmar os índios kaweskar (pronuncia-se "cauêscar) - atualmente um povo à beira da extinção - e outras tribos nativas que ainda viviam da caça e da pesca. Depois vieram os turistas, mochileiros europeus e americanos em sua maioria, a fim de encarar caminhadas pesadas de até dez dias, expostos ao vento que parece congelar os ossos. Compre sua passagem para Patagônia
A região sul da Patagônia, por mais preservada que esteja, perdeu já há um bom tempo algo que é de se esperar em zonas selvagens: os nativos. É possível encontrar descendentes de tehuelches, selknams, onas e kaweskars trabalhando em hotéis, fazendas ou pequenos negócios. Mas a maioria já mesclada etnicamente aos brancos. As razões são várias. Em alguns casos, a resistência em conviver com os descendentes de europeus gerou conflitos trágicos que dizimaram as etnias. Os sobreviventes acabaram aculturando-se. Em outros, foram às doenças e o sumiço da caça. Tanto no Chile quanto na Argentina a recepção ao turista é hospitaleira, qualidade que se ressalta no homem do interior acostumado à vida isolada em razão das grandes distâncias. A cultura e os hábitos do homem pampeano, representado no Brasil pela figura do gaúcho, presente no Rio Grande do Sul e em partes de Santa Catarina e do Paraná, adentra Argentina e Chile e prolonga-se em direção ao sul por uma faixa ininterrupta até os confins da Terra do Fogo, mesclando-se com bolsões de descendentes de imigrantes europeus com a forte cultura indígena autóctone. Assim, não será nenhuma surpresa se, em algum destes países, o viajante for convidado a sentar-se frente ao fogo e acolhido com uma cuia de chimarrão, localmente chamado de mate, representando não só a bebida nacional como também um franco e representativo sinal de hospitalidade.
Na Patagônia chilena é possível ter paisagens como as Torres del Paine, o Parque Nacional de mesmo nome, onde se chega a partir da pequena cidade de Puerto Natales, a menos de três horas de carro de Punta Arenas. Cartão-postal maior do parque e da Patagônia Chilena, as Torres del Paine lembram um pouquinho o Pico do Dedo de Deus, em Teresópolis (RJ), e são complementadas pelos Cornos del Paine, saliências na rocha que, no cume, lembram chifres. Essas formações, originadas há "apenas" 12 milhões de anos (estima-se que a Cordilheira dos Andes, por exemplo, se formou á 60 milhões de anos), podem hipnotizar o visitante devido à beleza e magnitude. E ainda estão cercadas por outras maravilhas, como lagos cristalinos, montanhas nevadas e extensos trechos de pampa, onde os turistas cruzam com rebanhos de ovelhas, guanacos (animal parente da lhama) e zorros, um tipo de raposa. Além de trekkings para contemplar esse visual caprichado, a exemplo da famosa volta ao redor do Maciço Paine, que dura sete dias e inclui pernoite em refúgios localizados dentro do parque, é possível conhecer o Torres del Paine em cavalgadas, pedaladas e em tours de barco, ônibus ou van. Com uma área - nada modesta - de 250 mil hectares, o parque também guarda parte do Campo de Gelo Sul, o maior conjunto de geleiras do hemisfério depois da Antártica, que formam um cenário de beleza totalmente insólita. A dica para explorar esses confins gelados do continente é embarcar em cruzeiros pela região, como o oferecido pelo navio Skorpios III, que, todos os anos, entre setembro e abril, realizam roteiros em que a grande atração é o show da natureza, com espetáculos como o dos blocos se desprendendo da geleira e produzindo um som parecido com o de um trovão, enquanto caem no mar. Sem falar do serviço e do tratamento nota 10 dado aos passageiros a bordo do navio. Paredão branco Skorpios III, um navio para apenas 125 passageiros, sempre ruma para o Campo de Gelo Sul a partir de Puerto Natales, a mesma cidade que dá acesso ao parque Torres del Paine. São cinco noites passadas a bordo, sendo que todas as manhãs e também em algumas tardes os passageiros partem para as excursões organizadas pelo navio. Numa delas, o turista sai no deque da embarcação e toma um susto ao dar de cara com o glaciar Pio XI, a maior geleira do Hemisfério Sul, com incríveis 1.263 km2 de superfície. Para ter uma idéia do que isso representa, a área ocupada pelo gigante branco equivale a quase toda a área da capital chilena, Santiago. Repare ainda em outros números grandiosos: são 60 km de comprimento e torres de gelo que alcançam 70 metros de altura. O melhor de tudo, no entanto, vem a seguir. Devidamente paramentados com agasalhos que protejam bem contra o frio e o vento - um companheiro constante nas viagens pela Patagônia - e com coletes salva-vidas, os passageiros são acomodados em botes motorizados e levados até uma distância segura do glaciar, para que, se algum bloco se desprender, não haja risco de atingir o bote ou fazê-lo virar. O silêncio, só quebrado pelo barulho do motor do bote, parece ser a melhor maneira de admirar aquele gigante, que, de perto, parece ainda mais imponente, mais belo. É um momento em que muitos certamente pensam nos perigos do aquecimento global, cujos efeitos podem ser um verdadeiro desastre para as geleiras do sul do continente. Longe de tudo A visita a Puerto Edén, na Ilha Wellington, também leva a momentos de reflexão. Trata-se de um dos povoados mais longínquos do Chile - a ligação por terra começa a 22 horas de navegação dali. Por lá, não há ruas; apenas uma passarela que interliga a escola, os mercadinhos e as casinhas simples, numa paisagem constantemente renevoada por causa do sistema de calefação das casas, que funciona a lenha. Nesse lugar bucólico e ao mesmo tempo desolador vivem 300 moradores, entre eles os índios kaweskar, que oferecem, à beira da passarela, seu artesanato simples. Ou pedem uns pesos, a moeda chilena, em troca da foto que o turista quer tirar. Mas o que faz com que se observe bem esses nativos é saber que ali, em Puerto Edén, vive menos de uma dezena dos últimos kaweskar puros. Ou seja, dentro em pouco, a história, a língua e as tradições desse povo estarão fadadas a serem conhecidas apenas num museu. Em meio aos fiordes Em termos de paisagem, o ponto alto da viagem é o tour pelo fiorde Calvo. Para esse passeio, o grupo troca o navio por um catamarã quebra-gelo aberto nas laterais, equipado com um bem-vindo sistema de aquecimento a bordo - e que, nos cruzeiros realizados no outono, quase não dá conta do recado. Mas, basta o catamarã avançar cada vez mais pelo fiorde (braço de mar profundo e cercado de grandes montanhas) para qualquer um esquecer momentaneamente o frio. Geleiras, cachoeiras e blocos de gelo boiando na água vão se sucedendo, assim como trechos em que a água passa a apresentar uma linda tonalidade de azul. Para contemplar o visual, pode-se olhar para a paisagem, composta por formações rochosas e, incrível, por uma vegetação que vence o clima gélido e cresce verde. Ou olhar para a própria água, que de tão cristalina - sendo usada até mesmo no abastecimento do Skorpios - reflete com perfeição esse espetáculo da natureza. Nesse momento de êxtase, os garçons servem petiscos, chocolate quente e uísque. Na brincadeira, eles dizem que o uísque tem uns 30.012 anos, ou seja, 12 anos da bebida e 30 mil do gelo, que a tripulação recolhe diretamente das geleiras, durante o passeio. A pé pelas geleiras Para quem está sentindo falta de uma caminhada, o roteiro reserva uma. E numa geleira. Bem, o que se dá são alguns passos desengonçados no escorregadio Glaciar Bernal - último pit stop da viagem antes da volta para Puerto Natales - mas a investida vale para garantir uma foto em cima de uma geleira, literalmente. Ao fim de uma viagem em que a natureza se exibe tão perfeita e soberana, fica difícil eleger um lugar marcante. Ou interpretar a sensação que será carregada depois de ver tudo isso. A única certeza é que é uma dádiva navegar no "fim do mundo" e ficar fascinado, como ficaram fascinados séculos antes, exploradores como o português Fernão de Magalhães e cientistas como o britânico Charles Darwin.
A gastronomía regional típica da Patagonia Chilena, caracteriza-se por utilizar os produtos mais nobres e puros que se encontra no mar e na terra. Estes alimentos são mais naturais, já que os pastos e as águas puras livres de pesticidas e contaminação garantem que os alimentos sejam cem por cento orgânicos. Além dos diferentes e mais tradicionais alimentos é possível conseguir em Magallanes excelentes mariscos como são: os ostiones, caracoles (Trophon ou Piquilhue), os quais são preparados de diferentes maneiras dentro dos mais cotados estão: Ao PILPIL (salteado em oliva, maltrato, e ají cacho de cabra). Ou A PARMESANA (com crema mantequilla, queijo parmesão gratinados ao forno) E como o mais clássico CHUPE ( pão remojado em leite, sofrito, mantequilla, veio branco e condimentos em geral. Os pescados são outras das riquezas gastronómicas que oferece Magallanes, de suas puras águas obtem excelentes peças de merluza, o rouba e congrio, estes pescados são preparados fritos com diferentes salsas ou simplesmente ao vapor e atingindo sabores e texturas inigualaveis. Na Patagônia andina destacam-se os patês, carnes de javalí, trutas, salmão e mariscos. O prato mais famoso do Chile é a cazuela, uma sopa com legumes, frango ou carne. A comida chilena tem alguns pratos de grande importância como as empadas, o docinho de choclos, as humitas, os porotos granados e o curanto. Assim mesmo, destacam os mariscos tais como lulas e pescados como o congrio, salmão e linguado. Os vinhos e frutas de Chile, deram-lhe reconhecimento internacional por sua qualidade e boa seleção. A bebida tradicional é o pisco, que se pode degustar preparado como pisco sour.
A Patagônia é uma região natural no extremo sul do continente americano que abarca a parte sul do Chile e da Argentina, incluindo os chamados Andes patagônios. Ao sul da Cordilheira dos Andes, a Patagônia é uma das mais belas regiões do planeta, de paisagens únicas e impressionantes, compreendendo uma imensa área, limitada ao norte pelo Rio Colorado, ao sul pelo Estreito de Magalhães, a oeste pelo Oceano Pacífico, e a leste pelo Oceano Atlântico. Já no Chile, a Patagônia engloba as Cordilheiras da Costa e dos Andes desde o Rio Biobío até o ponto onde mergulham no oceano e desmembram-se em um arquipélago com mais de 2.000 km de extensão, composto por milhares de ilhas cobertas de selva e infindáveis fiordes e canais em grande parte inexplorados.
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