O avião, vindo de Santiago, pousa no acanhado aeroporto de Calama. Você desce na pista, olha em volta e, antes de caminhar uns 50 metros até a sala onde pegará as bagagens, tem uma certeza: está em pleno deserto. O aeroporto parece plantado no meio do nada. Já na van, a caminho de São Pedro de Atacama, a 100 km dali, a rodovia de ótimo asfalto surpreende. A paisagem, igual na maior parte do tempo, muda bastante quando o veículo se aproxima da vila que recebe gente do mundo inteiro.
Você começa a ver formações que não parecem deste planeta. A curiosidade fica aguçada. Logo, lê-se na placa um tanto torta e carcomida: Bienvenido a San Pedro de Atacama, 4.800 habitantes. Por ser bem isolada, San Pedro de Atacama é considerada um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro.
Soberano no horizonte, o vulcão Licancabur (com cume a 5.760 metros de altitude) ficará de olho em você (e você nele) enquanto estiver por lá. São Pedro é um oásis. No lugar de plantações de tamareiras, comuns nos desertos do norte da África, lá predominam árvores típicas como o chañar e o algarrobo. Um bem bolado sistema de canais leva água para a vila. O jeitão do lugar é de uma Jericoacoara em pleno Deserto do Atacama: ruas de terra batida, muitas agências de turismo, barzinhos transados, hotéis e pousadas idem, gente de vários cantos do planeta: italianos, alemães, franceses, espanhóis, ingleses, um ou outro americano, argentinos e, claro, brasileiros. Uma vez identificado como brasileiro, podem perguntar, num portunhol bem treinadinho, se você é de São Paulo. Os paulistas e os paulistanos, principalmente, são figurinhas fáceis por lá.
Atacama é tido como o lugar mais seco da Terra, com baixíssima umidade relativa do ar - pode chegar próximo a zero, dizem por lá - e incidência dos raios ultravioleta (UV) altíssima. Portanto, se não seguir as orientações, você sentirá literalmente na pele. Protetor solar? Acima de fator 30. Protetor labial? O tempo todo. Não esqueça o boné ou o chapéu. E na hora de comprar água, parta logo para um galão de 5 ou 10 litros, mais uma garrafa de 2 litros que você irá reabastecendo ao longo da sua estada. Exagero? Lá, você verá que é assim mesmo.
A região chilena de maior interesse arqueológico é, sem lugar às dúvidas, a de Atacama. Uma região com forte influência da cultura Tiahuanaco e com profundas raízes incas na arquitetura e cerâmica. A região abrigou desde a última glaciação, há 12 mil anos, uma civilização de características próprias, que começou a declinar no início da Idade Média cristã, devido às invasões do povo de Tihuanaco, do norte da Bolívia, e, mais tarde, dos incas peruanos, em cerca de 1450. Oitenta anos depois, a chegada dos espanhóis e dos jesuítas, deu o golpe de misericórdia na antiga cultura atacamenha.
Estima-se que o auge da cultura atacamenha tenha se dado entre 100 e 900 d.C. (abrangendo os períodos formativos regionais e Tiwanaku). A análise do contexto das 35 tumbas do cemitério Toconao Oriente identificadas como pertencente à sua fase mais antiga, permite a observação de uma manifestação de hierarquia, indicando que, no começo da era Cristã, já se haviam definido chefaturas domésticas. Esta classe em emergência usufruía de elementos de status, como cachimbos, e de símbolos de poder, como maças. Pela difusão de objetos forâneos nas tumbas comuns (principalmente recipientes cerâmicos), esses líderes de unidades domésticas poderiam estar manejando as inter-relações com outros grupos e dentro do seu próprio grupo.
A origem dos atacameños se perdeu no tempo. Há ruínas, como a da cidade de Tulor, datadas de até 1.000 a.c.. O povo original era chamado Lincan Ankai, que quer dizer povo da terra na língua Kunsa. Esta língua também quase desapareceu, sobraram apenas palavras isoladas e nome de lugares. A influencia dos povos Inca e Tiwanaku foi grande e junto com a colonização espanhola ajudou a formar a identidade do Atacameño moderno. Eles ainda vivem em pequenas vilas e sobrevivem baseados na cultura irrigada e na criação de ovinos. Sua religiosidade é grande, misturando ritos católicos a antigas cerimônias a Pachamama, a mãe terra.
No Museu La Paige é possível conhecer um pouco mais da história do povo atacamenho, o museu é uma das grandes atrações do Atacama, possui várias múmias, sendo as mais antigas com 2 mil anos.
O Atacama é fascinante com paisagens e atrativos peculiares. Zona de tesouros arqueológicos que contam os segredos de uma civilização desaparecida, a região apresenta vales férteis, vulcões, gêiseres e uma paisagem espantosa. Com certeza, é um dos destinos mais incríveis do planeta.
Não foi à toa que a Nasa escolheu o Vale da Lua, no Atacama, para testar robôs que enviaria a Marte. A geologia desta região árida é única e as rochas que a formam contém sal e gesso, entre outros minerais. No Vale da Lua, você pode caminhar por cânions que rangem: um "crec-crec" entre os paredões é ouvido quando se faz silêncio e que chega a assustar. Pode ainda escalar uma gigantesca duna e ver o pôr-do-sol, uma atração por lá - mas não se compara a alguns crepúsculos observados no Brasil, como no alto do Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina (BA), por exemplo.
Para evitar o soroche, tome uma aspirina diariamente e não esqueça do chá de coca - você encontrará até no hotel ou em mercearias e lojinhas de São Pedro, em saquinhos como outro chá qualquer. Não se preocupe: ninguém fica doidão tomando infusão com folhas de coca. Só não traga na sua bagagem para o Brasil, pois a simples menção da palavra coca na embalagem pode causar aborrecimentos com a Polícia Federal. Quando caminhar em locais acima dos 3.000 metros, vá com calma.
Entre a Cordilheira do Sal, a Cordilheira de Domeyko e o Altiplano Andino, o imenso Salar de Atacama reserva algumas surpresas. As crostas de sal são proeminentes e pontiagudas, num tom entre o bege e o cinza.
O campo de gêiseres de El Tatio, a 4.300 metros de altitude, é uma das grandes atrações do Atacama. O ápice da atividade desses buracos que expelem água com temperatura de até 90 graus Celsius é no amanhecer. Por isso, a saída para o El Tatio, quase na divisa com a Bolívia, ocorre por volta das 4h da manhã.
Na chegada à vila é que se tem à tarde (ou manhã do dia seguinte) livre para caminhar pelas ruas estreitas de São Pedro de Atacama e descobrir que a maioria das agências de turismo, bares e restaurantes está fincada na Calle Caracoles, a rua principal. Aproveite para conhecer as atrações da cidade, que não são muitas. Vá até a igreja da vila, cuja construção é datada de 1774. Depois, visite o Museu Padre Gustavo Le Paige, que conta a história do povo atacamenho que já existia 15 anos antes de Cristo. São exibidos achados arqueológicos: artefatos, peças em ouro, tecidos, cerâmicas e múmias em urnas fúnebres e outras duas que são a maior atração do museu, uma delas batizada de "Miss Chile", com 2.500 anos. Do lado do museu fica a feira de artesanato, ideal para comprar lembrancinhas de viagem.
Numa viagem ao Chile, uma coisa é certa: não importa se o turista vai para o Deserto do Atacama ou para a Patagônia, ao menos um dia inteiro ele terá para bater perna na capital do país, Santiago.
A cozinha chilena é muito rica e variada, além de ser uma das cozinhas mais saborosas do Cono Sul. Sua gastronomia baseia-se, principalmente, na tradição culinária espanhola.
Os chilenos temperam a carne com muitos ingredientes. Existem carnes muito variadas que podem ser consumidas cozidas, como o ajiaco com cebola, ají, batatas, pão e suco de limão e laranja ou a cazuela, de origem espanhola, consistente em um cozido de pedaços grandes de carne, seja vaca, frango ou porco, com batatas, abóvora e choclo (milho tenro), acompanhado de arroz. A carbonada é uma carne frita cozida com diversas verduras, entanto que o charquicán, prato autenticamente chileno (provavelmente de origem mapuche), é uma mistura de carne ou charqui, preparada com uma variedade de verduras e servida com cebolas em escabeche. A região oferece diversas opções de pratos típicos, como a empanada e peixes ou frutos do mar preparados das mais diversas maneiras.
Na Caracoles estão os melhores restaurantes: Todo Natural, Café Adobe, La Estaka, Milagro, Blanco, Tierra... A maioria não trabalha com a comida típica chilena, mas sim com pratos contemporâneos, criados por chefs, com elegante apresentação. Não custam caro. Na disputa por clientes no almoço, há os que incluem uma bebida grátis no menu (cerveja ou um refrigerante). Você voltará renovado. Pode acreditar.
Os restaurantes Adobe e El Milagro em San Pedro de Atacama também são ótimas pedidas! Não deixe de provar os deliciosos vinhos chilenos e o tradicional pisco.
Com cerca de 200 km de extensão, o deserto do Atacama é considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo. Ocupa uma estreita faixa de terra entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes e se estende do sul do Peru ao norte do Chile. Situado à cerca de 3.000 metros altitude, o que torna seu ar rarefeito, é um dos lugares mais secos do planeta.
Em função das condições climáticas existem poucas cidades e vilas no deserto; a mais conhecida é San Pedro do Atacama ou São Pedro do Atacama, que tem pouco mais de 4 000 habitantes e está a 2 400 metros de altitude.
San Pedro de Atacama está localizado no Chile, situado na região norte daquele país e em uma zona geográfica onde se encontram as maiores montanhas dos Andes.