Uma vez no Atacama, curta a natureza!
Por Sérgio Branco
O avião, vindo de Santiago, pousa no acanhado aeroporto de Calama. Você desce na pista, olha em volta e, antes de caminhar uns 50 metros até a sala onde pegará as bagagens, tem uma certeza: está em pleno deserto. O aeroporto parece plantado no meio do nada. Já na van, a caminho de São Pedro de Atacama, a 100 km dali, a rodovia de ótimo asfalto surpreende. Tem uma ou outra curva perigosa, mas predomina uma reta entediante. A paisagem, igual na maior parte do tempo, muda bastante quando o veículo se aproxima da vila que recebe gente do mundo inteiro.
Você começa a ver formações que não parecem deste planeta. A curiosidade fica aguçada. Logo, lê-se na placa um tanto torta e carcomida: Bienvenido a San Pedro de Atacama, 4.800 habitantes. Por ser bem isolada, San Pedro de Atacama é considerada um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro.
Soberano no horizonte, o vulcão Licancabur (com cume a 5.760 metros de altitude) ficará de olho em você (e você nele) enquanto estiver por lá. São Pedro é um oásis. No lugar de plantações de tamareiras, comuns nos desertos do norte da África, lá predominam árvores típicas como o chañar e o algarrobo. Um bem bolado sistema de canais leva água para a vila. O jeitão do lugar é de uma Jericoacoara em pleno Deserto do Atacama: ruas de terra batida, muitas agências de turismo, barzinhos transados, hotéis e pousadas idem, gente de vários cantos do planeta: italianos, alemães, franceses, espanhóis, ingleses, um ou outro americano, argentinos e, claro, brasileiros. Uma vez identificado como brasileiro, podem perguntar, num portunhol bem treinadinho, se você é de São Paulo. Os paulistas e os paulistanos, principalmente, são figurinhas fáceis por lá.
Mas você pode cruzar com uma expedição de mineiros de BH ou com cearenses de Fortaleza vindos por terra, em veículos 4x4, numa viagem em ritmo de aventura que se tornou comum quando o destino é o Atacama.
Acomodado no seu quarto - pode ser no luxuoso Explora, no confortável Hotel Kimal, no agradável Hotel Casa Dom Tomás ou em um hostel espartano, depende do seu bolso - lhe avisarão que deve beber água de hora em hora. O Atacama é tido como o lugar mais seco da Terra, com baixíssima umidade relativa do ar - pode chegar próximo a zero, dizem por lá - e incidência dos raios ultravioleta (UV) altíssima. Portanto, se não seguir as orientações, você sentirá literalmente na pele. Protetor solar? Acima de fator 30. Protetor labial? O tempo todo. Não esqueça o boné ou o chapéu. E na hora de comprar água, parta logo para um galão de 5 ou 10 litros, mais uma garrafa de 2 litros que você irá reabastecendo ao longo da sua estada. Exagero? Lá, você verá que é assim mesmo.
Surpreendente a todos os viajantes, aproveite a visita ao deserto do Atacama e caminhe por algumas vilas milenares ou por entre as inúmeras cidades fantasmas que existem no deserto.
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Atacama: Desvende a cultura atacamenha
A região chilena de maior interesse arqueológico é, sem lugar às dúvidas, a de Atacama. Uma região com forte influência da cultura Tiahuanaco e com profundas raízes incas na arquitetura e cerâmica. A região abrigou desde a última glaciação, há 12 mil anos, uma civilização de características próprias, que começou a declinar no início da Idade Média cristã, devido às invasões do povo de Tihuanaco, do norte da Bolívia, e, mais tarde, dos incas peruanos, em cerca de 1450. Oitenta anos depois, a chegada dos espanhóis e dos jesuítas, deu o golpe de misericórdia na antiga cultura atacamenha.
Estima-se que o auge da cultura atacamenha tenha se dado entre 100 e 900 d.C. (abrangendo os períodos formativos regionais e Tiwanaku). A análise do contexto das 35 tumbas do cemitério Toconao Oriente identificadas como pertencente à sua fase mais antiga, permite a observação de uma manifestação de hierarquia, indicando que, no começo da era Cristã, já se haviam definido chefaturas domésticas. Esta classe em emergência usufruía de elementos de status, como cachimbos, e de símbolos de poder, como maças. Pela difusão de objetos forâneos nas tumbas comuns (principalmente recipientes cerâmicos), esses líderes de unidades domésticas poderiam estar manejando as inter-relações com outros grupos e dentro do seu próprio grupo.
A origem dos atacameños se perdeu no tempo. Há ruínas, como a da cidade de Tulor, datadas de até 1.000 a.c.. O povo original era chamado Lincan Ankai, que quer dizer povo da terra na língua Kunsa. Esta língua também quase desapareceu, sobraram apenas palavras isoladas e nome de lugares. A influencia dos povos Inca e Tiwanaku foi grande e junto com a colonização espanhola ajudou a formar a identidade do Atacameño moderno. Eles ainda vivem em pequenas vilas e sobrevivem baseados na cultura irrigada e na criação de ovinos. Sua religiosidade é grande, misturando ritos católicos a antigas cerimônias a Pachamama, a mãe terra.
No Museu La Paige é possível conhecer um pouco mais da história do povo atacamenho, o museu é uma das grandes atrações do Atacama, possui várias múmias, sendo as mais antigas com 2 mil anos.
Vilarejos típicos
Entre os passeios que você programar, terá a oportunidade de conhecer outros vilarejos da região, como Socaire, a 3.200 metros de altitude, cuja maior atração é uma igreja de estilo espanhol, e Machuca, a 4.000 metros, com uma única rua e uma igreja rústica e centenária, erguida na borda da montanha, alvo de muitas fotos. Machuca é habitada por índios da etnia atacamenha que vendem artesanato, empanadas e churrasco de carne de lhama para os visitantes. Aliás, ali se criam lhamas e alpacas aos montes e você aprende que elas são diferentes uma das outras, assim como dos guanacos e das vicunhas (estas, em extinção, são encontradas só acima dos 4.000 metros de altitude). No caminho de Machuca a São Pedro, você passará pelo Vale do Rio Putana (nome que sempre arranca gargalhadas dos turistas italianos) e por cânions áridos onde ainda existem muitos cáctus gigantes, agora protegidos por leis ambientais. A madeira dos cactus era usada em construções e eles quase se extinguiram. Hoje só é permitido a utilização em artesanato e apenas de plantas mortas naturalmente.
Conheça o Atacama!
O Atacama é fascinante com paisagens e atrativos peculiares. Zona de tesouros arqueológicos que contam os segredos de uma civilização desaparecida, a região apresenta vales férteis, vulcões, gêiseres e uma paisagem espantosa. Com certeza, é um dos destinos mais incríveis do planeta.
Morte, Lua e Sal
A estrada que leva a São Pedro passa pelo Vale da Morte, na Cordilheira do Sal. Dá vontade de parar a van antes mesmo de chegar à vila. Depois, você descobre que voltará a esse trecho da rodovia e caminhará acima, abaixo e entre formações rochosas e dunas que parecem cenário de filme de ficção científica, daqueles em que a nave cai em algum planeta desconhecido. Não foi à toa que a Nasa escolheu o Vale da Lua, no Atacama, para testar robôs que enviaria a Marte. A geologia desta região árida é única e as rochas que a formam contém sal e gesso, entre outros minerais. No Vale da Lua, você pode caminhar por cânions que rangem: um "crec-crec" entre os paredões é ouvido quando se faz silêncio e que chega a assustar. Pode ainda escalar uma gigantesca duna e ver o pôr-do-sol, uma atração por lá - mas não se compara a alguns crepúsculos observados no Brasil, como no alto do Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina (BA), por exemplo. Lá de cima, vale mesmo é observar a beleza incomum do Vale da Lua, com um visual inesquecível, e fotografar muito, compulsivamente. Cânions, dunas e abismos fazem parte da paisagem quando se faz uma trilha, leve, pelo Vale da Morte. A razão do nome do lugar rende boas histórias contadas pelo guia da caminhada. Uma delas é que o local teria sido usado pelos incas para sacrificar humanos na época em que dominaram a região. Outra é que foi lá que os espanhóis executaram centenas de atacamenhos quando tomaram o poder.
Mal da altitude
São Pedro de Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar. Nesta altitude, os efeitos do soroche, o mal das alturas, raramente se manifesta. Isto acontece, na maior parte das vezes, acima dos 3 mil metros e varia de pessoa para pessoa. Alguns sentem dor de cabeça, outros enjôo, há quem padeça com tonturas e existem aqueles que sofrem tudo isso junto. Muita gente se torna vítima do soroche quando faz o passeio pelo Altiplano Andino, uma imensa região que abrange o norte do Chile, a parte ocidental da Bolívia, o centro-sul do Peru e o noroeste da Argentina - São Pedro está a poucos quilômetros de parte destacada dessa planície de alturas elevadas. É uma jornada que leva um dia inteiro e pode terminar (ou começar) com uma visita ao Salar de Atacama em busca da Lagoa Chaxa e seus flamingos cor-de-rosa para ter o primeiro contato com essa planície de sal, de 100 km de comprimento por 80 km de largura, a cerca de 40 minutos de São Pedro. A estrada que leva ao Altiplano segue à margem do Salar. Passa-se pelo vilarejo típico de Toconao, com uma parada rápida para fotos, e então, começa uma subida em que a paisagem vai mudando e o ar ficando cada vez mais rarefeito. A van pára e o guia inicia uma caminhada que levará a um mirante. Chega-se a 4.300 metros de altitude e, em meio a uma daquelas paisagens que enchem os olhos e alma, você avistará por inteiro os lagos Miñiques e Miscanti, cercadas por vulcões e com água num tom azul difícil de acreditar. É um momento de contemplação. Mas algo pode lhe chamar a atenção: várias pedras colocadas uma sobre as outras, como se fossem esculturas. O guia explicará que aquilo é uma apacheta. Os índios usavam para marcar caminhos e também para desejar boa sorte a quem passa pelo lugar. Depois da explicação, você pode sentir uma vontade imensa de fazer a sua apacheta. Vá em frente. Deixe sua marca.
Aspirinas e coca
Para evitar o soroche, tome uma aspirina diariamente e não esqueça do chá de coca - você encontrará até no hotel ou em mercearias e lojinhas de São Pedro, em saquinhos como outro chá qualquer. Não se preocupe: ninguém fica doidão tomando infusão com folhas de coca. Só não traga na sua bagagem para o Brasil, pois a simples menção da palavra coca na embalagem pode causar aborrecimentos com a Polícia Federal. Quando caminhar em locais acima dos 3.000 metros, vá com calma. Ande devagar e não faça movimentos bruscos. Além da altitude, a secura da região exige cuidados: beba bastante água e, de vez em quando, molhe o interior das narinas (ou pingue algum produto apropriado, como o Rinosoro), isso porque pode haver um pequeno sangramento no nariz causado pelo ressecamento. Uma sensação interessante, devido ao ar seco, é a de que você, por mais que caminhe debaixo de um sol inclemente, não sua. Em qualquer outro lugar, com umidade normal, uma hora de andança sob o sol faria com que o suor brotasse em bicas. Lá não. Em compensação, o efeito dos raios ultravioleta é perigoso. Se aquela pontinha da orelha não for bem protegida, no dia seguinte pode virar uma bolha típica de queimadura. Portanto, não economize em filtro solar.
Mergulho no Salar
Entre a Cordilheira do Sal, a Cordilheira de Domeyko e o Altiplano Andino, o imenso Salar de Atacama reserva algumas surpresas. As crostas de sal são proeminentes e pontiagudas, num tom entre o bege e o cinza.
Entre as várias lagoas salgadas que existem no Salar, muitas delas são o ponto de alimentação e repouso de bandos de flamingos. Um dos passeios a partir de São Pedro leva os visitantes até a Lagoa Cejar, com água em tom verde de mar do Caribe e uma concentração de sal absurda, que faz com que você fique boiando mesmo que queira afundar. A água é quente e quanto mais a perna é esticada, na tentativa de ir para o fundo, mais alta fica a temperatura. Na hora de entrar e sair da Lagoa Cejar um cuidado: as bordas são formadas por crostas de sal, afiadas como navalhas.
Deve-se usar chinelo ou papete para acessar a água e seguir as orientações do guia: entra-se de costas e sai-se de frente. Há quem se corte na borda ao querer sair por conta própria. Depois, muita água no corpo para tirar o sal da pele - leve pelo menos um galão de 5 litros para banhar-se no local.
Gêiser El Tatio
O campo de gêiseres de El Tatio, a 4.300 metros de altitude, é uma das grandes atrações do Atacama. O ápice da atividade desses buracos que expelem água com temperatura de até 90 graus Celsius é no amanhecer. Por isso, a saída para o El Tatio, quase na divisa com a Bolívia, ocorre por volta das 4h da manhã. A van roda cerca de duas horas por uma estrada ruim, montanha acima. Quando você chega, vê cortinas e mais cortinas de fumaça, como se estivesse num local que acabou de ser bombardeado (há 80 gêiseres na área). Lá em cima é bem frio logo de manhãzinha. Por isso, a recomendação é usar muito agasalho (luvas, gorro, cachecol, calças e casacos apropriados) principalmente no inverno, quando a temperatura chega a -5 graus. No verão não é preciso tanto, pois a temperatura fica por volta de 4 a 6 graus. Depois, com o nascer do sol, vai ficando mais quente e você começa a "descascar", ou seja, vai tirando os agasalhos. No local há até o piscinão do El Tatio, onde é possível tomar um banho coletivo com água de origem vulcânica quentinha. Há duas áreas distintas: dos gêiseres menores, dos quais se pode aproximar bastante, e dos maiores, protegidos por muros baixos com a finalidade de evitar acidentes com os visitantes - alguns até morreram ao cair nos buracos de água fervente.
As borbulhas e os esguichos são constantes a partir de certa hora da manhã, mas não passam de um metro e meio de altura, dois no máximo. É raro ver a água quente ser expelida em jorros de cinco ou dez metros, como são mostrados em algumas fotos de divulgação do local. Mas pode ocorrer.
A vila de São Pedro
Na chegada à vila é que se tem à tarde (ou manhã do dia seguinte) livre para caminhar pelas ruas estreitas de São Pedro de Atacama e descobrir que a maioria das agências de turismo, bares e restaurantes está fincada na Calle Caracoles, a rua principal. Aproveite para conhecer as atrações da cidade, que não são muitas. Vá até a igreja da vila, cuja construção é datada de 1774. As paredes são de barro e o teto feito com madeira de cactus gigante (prática hoje proibida para evitar a extinção da planta nativa). Depois, visite o Museu Padre Gustavo Le Paige, que conta a história do povo atacamenho que já existia 15 anos antes de Cristo. São exibidos achados arqueológicos: artefatos, peças em ouro, tecidos, cerâmicas e múmias em urnas fúnebres e outras duas que são a maior atração do museu, uma delas batizada de "Miss Chile", com 2.500 anos. O processo de mumificação foi possível por causa do alto teor de sal no terreno onde foram enterradas aliadas às altas temperaturas da região e à baixíssima umidade do ar - um processo natural de dessecação do corpo.
Do lado do museu fica a feira de artesanato, ideal para comprar lembrancinhas de viagem. Pechinche nos preços, que são para turistas europeus.
Nos arredores de São Pedro há mais três pontos de interesse para quem curte arqueologia. O primeiro é a Aldeia Tulor, com vestígios de assentamentos atacamenhos com mais de 3.000 anos e uma réplica de como eram as habitações da época. Depois, vale conhecer a Pukara de Quitor, reconstituição de uma fortaleza atacamenha na encosta de uma montanha. Foi a partir dela que os nativos resistiram, por 20 anos, aos espanhóis, até a assinatura de um acordo de paz em 1557. Com mais uma caminhada em terreno íngreme, chega-se a um mirante de onde se vê São Pedro e o Salar de Atacama.
Observar estrelas
No Atacama, o recomendado é estar sempre acompanhado de um guia, mesmo que você tenha chegado lá em um veículo 4x4. A maioria, no entanto, vai com pacote que, na ponta do lápis, tem um custo-benefício maior. As principais agências ficam na Calle Caracoles e adjacências. A oferta de passeios é bastante diversificada. Entre os mais radicais estão a ascensão ao vulcão ativo Lascar, com 5.600 metros de altitude e descida de bicicleta do Altiplano Andino até São Pedro, entre outros. Uma atividade bem legal é a observação de estrelas em pleno deserto, com palestra de um astrônomo, que coloca quatro telescópios potentes à disposição para que você veja estrelas e planetas num dos céus mais limpos do mundo, o do Atacama.
Aproveite Santiago e seus arredores
Numa viagem ao Chile, uma coisa é certa: não importa se o turista vai para o Deserto do Atacama ou para a Patagônia, ao menos um dia inteiro ele terá para bater perna na capital do país, Santiago. O crescimento econômico chileno, o mais consistente da América do Sul, trouxe ares renovados à cidade, como se vê em bairros como Las Condes - onde fica o Parque Arauco, o maior e mais badalado shopping local, com 245 lojas e um hipermercado em que se encontram vinhos por ótimos preços - e El Golf. Sem falar de Vitacura, que vem se firmando como um bairro boêmio e gastronômico, com lugares como o Borde Rio, um complexo com vários restaurantes, que passeiam por diferentes cozinhas. Ou Bellavista, onde o poeta Pablo Neruda tinha uma casa (transformada em museu) e hoje é um point de balada, com ótimos bares, restaurantes e casas de salsa. Mas a Santiago tradicional, com suas construções coloniais, está na porção central da Avenida Libertador Bernardo O'Higgins, também conhecida como Alameda, cortada por ruas transformadas em calçadões cheios de lojas e quiosques. Dali, é fácil chegar ao Palácio La Moneda (sede da presidência do Chile) e também à Plaza de Armas, que abriga construções coloniais, a catedral e a prefeitura. Outro símbolo de tradição é o Mercado Central, uma imponente estrutura de ferro importada da Inglaterra que exibe toda sorte de peixes e frutos do mar encontrados unicamente nas águas da costa do país, como a centolla, um tipo de caranguejo gigante. Além de bancas que vendem os "bichinhos", por lá também há vários restaurantes que servem essas iguarias. Para uma vista incrível, suba ao Cerro San Cristóbal, uma montanha que surge no meio de Santiago e que faz às vezes de mirante para a Cordilheira dos Andes que circunda a cidade, além de contar com uma área de lazer e zoológico. Se tiver mais tempo, é possível fazer outros passeios bacanas a partir da capital. A estação de Valle Nevado, por exemplo - que oferece a maior área esquiável da América do Sul, com 107 km de pistas -, está a apenas 70 km de Santiago. Unidas na geografia, mas com jeitos bem distintos, Viña del Mar, a 120 km da capital, e Valparaíso são outra opção. A primeira, um balneário numa costa rochosa, é conhecida como "cidade jardim", por causa dos vários jardins esparramados pela cidade. Valparaíso, por sua vez, é o maior porto chileno. Entre suas atrações estão as construções sobre as montanhas, os bondinhos que ligam a parte baixa à parte alta da cidade e as estreitas ruas de paralelepípedo. Como os vinhos também são estrelas em território chileno, é imperdível partir para um tour pelas vinícolas. Uma das regiões produtoras é o Vale de Colchagua, que está a cerca de duas horas de Santiago. Lá são fabricados alguns dos mais respeitados rótulos do país e, em algumas propriedades, é possível até circular entre as videiras a bordo de uma charrete. A Casa Silva e a Viu Manent são algumas das vinícolas que recebem turistas para visitas guiadas com degustação, além de vender a bebida.
Atacama: Confira as dicas gastronômicas
A cozinha chilena é muito rica e variada, além de ser uma das cozinhas mais saborosas do Cono Sul. Sua gastronomia baseia-se, principalmente, na tradição culinária espanhola.
Os chilenos temperam a carne com muitos ingredientes. Existem carnes muito variadas que podem ser consumidas cozidas, como o ajiaco com cebola, ají, batatas, pão e suco de limão e laranja ou a cazuela, de origem espanhola, consistente em um cozido de pedaços grandes de carne, seja vaca, frango ou porco, com batatas, abóvora e choclo (milho tenro), acompanhado de arroz. A carbonada é uma carne frita cozida com diversas verduras, entanto que o charquicán, prato autenticamente chileno (provavelmente de origem mapuche), é uma mistura de carne ou charqui, preparada com uma variedade de verduras e servida com cebolas em escabeche. A região oferece diversas opções de pratos típicos, como a empanada e peixes ou frutos do mar preparados das mais diversas maneiras.
Na Caracoles estão os melhores restaurantes: Todo Natural, Café Adobe, La Estaka, Milagro, Blanco, Tierra... A maioria não trabalha com a comida típica chilena, mas sim com pratos contemporâneos, criados por chefs, com elegante apresentação. Não custam caro. Prefira a opção de menu, com duas ou três combinações a escolher, que inclui entrada, prato principal e sobremesa por algo em torno de 5.000 pesos chilenos (cerca de US$ 10,00). Na disputa por clientes no almoço, há os que incluem uma bebida grátis no menu (cerveja ou um refrigerante). Você voltará renovado. Pode acreditar.
Os restaurantes Adobe e El Milagro em San Pedro de Atacama também são ótimas pedidas! Não deixe de provar os deliciosos vinhos chilenos e o tradicional pisco.
Atacama: E onde fica?
Com cerca de 200 km de extensão, o deserto do Atacama é considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo. Ocupa uma estreita faixa de terra entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes e se estende do sul do Peru ao norte do Chile. Situado à cerca de 3.000 metros altitude, o que torna seu ar rarefeito, é um dos lugares mais secos do planeta.
Em função das condições climáticas existem poucas cidades e vilas no deserto; a mais conhecida é San Pedro do Atacama ou São Pedro do Atacama, que tem pouco mais de 4 000 habitantes e está a 2 400 metros de altitude.
San Pedro de Atacama está localizado no Chile, situado na região norte daquele país e em uma zona geográfica onde se encontram as maiores montanhas dos Andes.
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