Nova York: De volta para o futuro
A metrópole de todos os povos está com vitalidade renovada e já superou o trauma do ataque às torres gêmeas. Veja como curtir essa cidade vibrante, de dia e de noite.
Por Érico Elias
Nova York parece uma velha conhecida mesmo para quem põe os pés nela pela primeira vez. Não há nenhuma outra cidade no mundo que possa rivalizar com sua fama.
Ainda que seja seu primeiro passeio de barco para ver o skyline da parte sul da ilha de Manhattan, você sentirá que algo está faltando no cartão-postal. Os ataques terroristas que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center deixaram uma ferida aberta, impossível de esconder ou de esquecer.
Vieram bem na hora em que Nova York estava passando por uma fase estupenda, com a criminalidade despencando e o setor imobiliário em franco crescimento. Talvez, por isso, a resposta tenha sido tão rápida e cheia de vitalidade.
Passados alguns anos do fatídico 11 de setembro de 2001, foi anunciado o projeto da Freedom Tower, que tomará o lugar que ocupava o World Trade Center como o maior edifício de Nova York e um dos maiores do mundo. O projeto só deve terminar em 2011, mas já deu outra cara ao Ground Zero: em vez de pesar e destruição, a área está marcada pelos bons fluídos da reconstrução.
Nova York é uma cidade de modas passageiras. O que hoje faz sucesso amanhã pode cair no esquecimento. A cidade retomou seu ritmo frenético de metrópole de todos os povos. As milhares de pessoas que passam diariamente pela estação do World Trade Center, no coração financeiro da Big Apple, parecem nem dar mais importância para o enorme buraco rodeado de guindastes. Estão olhando para o futuro, como sempre foi em Nova York, cidade de vanguarda.
Bem-cuidada, segura e cheia de opções de consumo e passeios, continua a ser a metrópole mais cosmopolita do planeta e uma das que mais atraem turistas e aventureiros. Nova York é uma cidade de modas passageiras. O que hoje faz sucesso amanhã pode cair no esquecimento.
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Nova York: A cidade de estrangeiros
Apesar da paranóia de segurança criada nos Estados Unidos e em suas embaixadas espalhadas pelo mundo, os ataques terroristas não conseguiram arranhar a maior marca de Nova York: a miscigenação. É claro que há uma cansativa peregrinação para conseguir o visto, mas uma vez que você entrou na cidade, a liberdade é total.
Em Ellis Island, ao sul de Manhattan, próximo à Estátua da Liberdade, desembarcaram entre 1892 e 1954 cerca de 12 milhões de imigrantes, que vieram tentar a vida na América. Fluxos migratórios de várias partes do mundo fizeram de lá a metrópole de todos os povos. Não haveria melhor lugar para construir a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), inaugurada em 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial, quando a hegemonia econômica passava das mãos da Europa para os Estados Unidos.
Nova York recebe bem todos os estrangeiros, sobretudo porque é uma cidade de estrangeiros. Não precisa treinar para disfarçar o sotaque, pois todo mundo tem o seu próprio sotaque. Nesse caldeirão cultural muitas situações inusitadas acontecem. Depois de sair de um bistrô francês onde tocava música brasileira, você pode pegar um taxista indiano ou paquistanês que vai falar um inglês praticamente impossível de ser entendido. Se preferir pegar um metrô, vai ver propagandas em inglês e espanhol. A língua é quase tão ouvida nas ruas da cidade quanto o inglês, por causa dos inúmeros imigrantes vindos da América Latina.
Nova York é mesmo uma Babel moderna. Ali há um reduto reservado para cada cultura e até bairros inteiros para as culturas mais presentes, como no caso de Chinatown, Little Italy e Spanish Harlem. Os brasileiros, muito presentes na cidade, também ganharam seu espaço, a Little Brazil, como é chamada a 46th Street. Um bairro curioso é o Hell´s Kitchen, ou cozinha do inferno, onde estão concentrados restaurantes de todas as nacionalidades.
Não se intimide com a fama que os nova-iorquinos têm de serem mal-humorados empedernidos. Basta que você se faça entender, que qualquer um está disposto a fazer um esforcinho para ajudá-lo. Afinal, além de muitos estrangeiros que moram na cidade, Nova York é reduto de turistas o ano inteiro. Em qualquer
ponto turístico, curiosos se acotovelam com suas câmeras digitais, enquanto engravatados passam apressados, correndo contra o tempo.
Cidade das artes
Os turistas que gostam de apreciar arte e cultura normalmente torcem o nariz para os Estados Unidos, considerado um país feito de futilidades. Nova York é uma exceção. Ali você se sente como em qualquer metrópole européia, apesar de a cidade ser "nova" se comparada a Paris, Roma, Madri ou Londres.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, grande parte do acervo de artes dos países europeus migrou para as mãos de alguns magnatas americanos, que criaram em Nova York dois museus que estão entre os maiores e mais importantes do mundo: o Metropolitan e o Museum of Modern Art, mais conhecido como MoMA.
O Metropolitan tem um acervo que engloba desde a arte egípícia até o modernismo, enquanto o MoMA está centrado no modernismo e na arte contemporânea. Para quem gosta de artes, ali está a maior concentração de tesouros do modernismo. Obras-primas de Manet, Picasso, Van Gogh, Mondrian e outros gênios estão expostas lado a lado, em um panorama arrebatador.
O acervo de obras, além dos inúmeros artistas, intelectuais e críticos de arte que migraram para os Estados Unidos na década de 1940, alimentaram uma vanguarda que colocou Nova York no lugar de Paris como a capital cultural do ocidente. Já um museu essencial para quem quer apreciar a melhor produção da arte contemporânea americana é o Withney Museum.
E se você quer saber o que está sendo produzido hoje no mundo da arte, basta um passeio pelas galerias do SoHo, sem esquecer de visitar o Museum of Contemporary Art. Na mesma região fica a Leica Gallery, especializada em fotografia.
Vamos para Nova York
A ilha de Manhattan é apenas um dos cinco distritos em que foi dividida Nova York, ao lado de Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island. Mas quando se fala de turismo na Big Apple, não tem jeito: as atenções se voltam para Manhattan. A ilha de cerca de 4 km de largura por 22 km de extensão, que fica entre os rios Hudson e East, a poucos quilômetros da desembocadura no Oceano Atlântico. É onde a cidade nasceu, onde estão todas as suas principais atrações e tudo o que há nela de melhor e mais sofisticado.
Manhattan é o coração de uma das maiores metrópoles do mundo, mas não é um labirinto. Bem ao contrário. Excetuando a parte sul da ilha, que tem ruas tortuosas, todo o resto foi muito bem planejado.
Os saxões foram metódicos ao projetar a cidade. Nada de nomes de personalidades nas principais ruas. Números para as avenidas e para as ruas, nomes meramente referenciais para a maioria dos bairros. SoHo, por exemplo, não significa nada além de South of Houston Street, ou seja, o bairro que fica ao sul da rua Houston. TriBeCa, que pode parecer um nome engraçado e criativo, tem um significado frio e objetivo, é o Triangle Below Canal Street, ou seja, o triângulo que está logo abaixo da rua do canal. Pode parecer pragmático demais para um brasileiro, mas funciona.
Prepare suas pernas
Apesar da disponibilidade, evite ao máximo ficar pegando táxi e metrô, pois o jeito mais divertido de conhecer Manhattan é mesmo caminhando e o relevo plano da ilha ajuda muito nesse sentido. Uma forma interessante de montar seu roteiro é escolher atrações próximas para visitar no mesmo dia e fazer o percurso entre elas a pé. Uma caminhada por Manhattan pode ser por si só uma atração turística, pois a cidade sempre reserva boas surpresas. Tudo na ilha parece que foi pensado para estar no lugar em que está, como no cenário de um filme.
Por isso, Nova York é uma metrópole tão especial. Ela guarda em seu centro uma espécie de "ilha da fantasia", onde tudo funciona, onde há tudo do bom e do melhor de todas as partes do mundo.
Uma ilha altamente cuidada e visitada por turistas, não apenas os estrangeiros, mas também muitos americanos, que vêem a cidade com orgulho como o centro do mundo e a síntese do american way of life.
A escala gigantesca das construções e a megalomania típica de Manhattan não fazem da ilha um lugar sufocante. Suas ruas e avenidas retas oferecem sempre uma linha do horizonte em meio ao mar de arranha-céus, conferindo uma dimensão humana à metrópole.
Embora completamente domada, a natureza não se inibe em meio à selva de asfalto e cimento. As águas caudalosas que banham Manhattan por todos os lados ajudam a amenizar o corre-corre das ruas.
Área verde famosa
As áreas verdes também são muitas, com destaque para o parque mais famoso do mundo, o Central Park. Projetado em 1853, esse enorme retângulo de área verde está situado no centro da ilha, tem cerca de
1,5 km de largura por 7 km de extensão e abriga mais de 15 mil árvores. Se não fosse a sua majestosa presença em contraste com os arranha-céus, Manhattan perderia muito de sua graça. Não é à toa que os imóveis residenciais mais caros estão nas suas imediações.
No Central Park, as atrações são muitas, o que faz dele o playground da cidade, mais ou menos equivalente ao que as praias significam para o Rio de Janeiro. Antes de programar seu passeio, confira a agenda de eventos no parque pela Internet (www.centralparknyc.org). A parte sul, entre as ruas 57th e 86th, é a que tem mais atrações. No inverno, não perca a oportunidade de patinar no gelo, experiência inusitada para brasileiros.
Se você deseja sossego, o Central Park é o lugar ideal para uma caminhada sem pressa ou um piquenique acompanhado da pessoa amada ou de um bom livro. No seu interior, os prédios dão lugar às árvores e o barulho dos carros dá lugar ao canto dos pássaros.
A fama do Central Park muitas vezes faz esquecer que a cidade é cheia de parques. Todos são muito bem cuidados e oferecem um abrigo gostoso para fugir da correria das ruas. Se estiver sobrando tempo, um lugar para passar algumas horas relaxantes é o Battery Park, que fica no extremo sul da ilha, de onde saem as barcaças para a Estátua da Liberdade e Ellis Island. Lá, o verde das árvores é emoldurado pelas águas do rio, criando uma atmosfera agradável.
Outros pontos de vista
Um passeio pela passarela suspensa da Brooklyn Bridge, que liga Manhattan ao Brooklyn, oferece uma vista inesquecível - vale lembrar que a enorme ponte, construída entre 1867 e 1883, representou um símbolo da prosperidade de Nova York. Há duas opções de caminhada. Uma delas é ir até a metade da ponte e voltar. Outra é ir até o fim (1.834 metros), descansar alguns minutos curtindo a vista nos parques próximos e pegar o metrô para voltar.
Além do Central Park, outro lugar perfeito para pedalar são as ciclovias que acompanham as orlas da ilha nos rios Hudson e East, inteiramente planas. Em breve, a prefeitura irá concluir a junção das ciclovias, tornando possível fazer o contorno completo da ilha sobre duas rodas.
Visitar o Empire State pode ser uma experiência estafante, dado o número de turistas que se abarrotam em filas e lutam por um lugarzinho na esplanada de observação Porém, é uma oportunidade única de ver Nova York por um outro ângulo, acima de todos os outros prédios, como se estivesse pairando sobre a cidade. De noite, tem um charme todo especial.
Para quem quer evitar a muvuca do Empire State e para isso se contenta com um ponto de vista um pouco mais baixo, vale a pena visitar o Top of Rock, mirante que fica na cobertura do General Electric Building, o prédio mais alto do Rockfeller Center. O interessante é a bela vista do Empire State que se tem de lá.
Não é nenhum exagero dizer que Nova York é a capital teatral do mundo. E é na iluminada e badalada Broadway, em majestosos teatros erguidos entre 1900 e 1930 (e em outros não tão glamourosos assim), que centenas de peças ficam em cartaz o ano todo, entre musicais, comédias, dramas e espetáculos que apostam em experimentações e que nunca deixam o show parar.
Meca do capitalismo
Está certo que Manhattan é um lugar bacana, cheio de atrações turísticas, onde a grandiosidade das construções se completa com uma natureza exuberante e também grandiosa. Mas a ilha não atrairia tantos turistas se não oferecesse inúmeras opções de consumo, de todo tipo.
Nova York é a meca do capitalismo. Não apenas porque abriga o centro financeiro mais importante do planeta. São os dólares que fazem a cidade respirar. Lá, você pode ter o que quiser, realizar os sonhos de consumo mais luxuriantes, desde que tenha dinheiro.
A exposição a mercadorias de todo tipo é intensa. Você encontra tudo, do mundo todo, em grande quantidade, basta procurar. De vinhos franceses a eletrônicos chineses, a variedade é impressionante.
A mesma bolsa Louis Vuitton que custa milhares de dólares na loja da grife na Upper East Side pode ser encontrada por algumas notas miúdas em sua versão falsificada nas ruas de Chinatown. No mundo livre, a escolha é por conta do freguês.
O miolo da ilha
Se Manhattan é o centro do mundo, Midtown é o centro de Manhattan. Entre as ruas 27th e 59th está concentrado todo tipo de loja, de eletrônicos a joalherias. Para lá vão também os turistas mais comuns, em direção a muitas armadilhas para caçar seus níqueis.
A Times Square e seus billboards luminosos são a quintessência do consumismo e da vitalidade da metrópole. Fica em um cruzamento cheio de caminhos, na esquina onde a Broadway cruza a 7th Avenue, na altura das ruas 44th e 45th.
É o centro nervoso de uma cidade que nunca dorme. Em volta estão lojas de todos os tipos, de eletrônicos até souvenires. Na região também estão concentrados os teatros mais famosos da Broadway, vale a pena conferir.
Outros museus
Se tiver uma tarde livre, outros museus que podem guardar boas surpresas são o International Center of Photography, The Frick Collection, Brooklyn Museum e o Guggenheim, que atualmente passa por reformas. Todos os grandes museus de arte de Nova York mantêm livrarias estupendas e editam catálogos de exposições que são ótimas obras de referência. Não deixe de conferir.
Mas não se confunda: museu, para os americanos, não é sinônimo de arte apenas. Em Nova York há museus especializados em todo tipo de coisa. Em Elis Island, passeio normalmente incluso na visita à Estátua da Liberdade, é possível ver como era a chegada dos imigrantes na América. No Old Merchant´s House Museum, você entra em uma casa do século 19 com decoração original, fazendo uma espécie de viagem no tempo.
No Rio Hudson está ancorado um porta-aviões que se transformou no Intrepid Air, Sea and Space Museum, especializado em máquinas militares. Apenas sobre a história da cidade há quatro museus que podem ser visitados, com destaque para o Museu da Cidade de Nova York. Diversões fantásticas para adultos e crianças são o Museu Americano de História Natural, que mostra a evolução da vida na Terra, entre outras atrações, e Museu da Televisão e do Rádio, onde é possível rever programas e filmes que marcaram a história da TV e o rádio.
Tradição e inovação
Quando o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss esteve na América, entre as décadas de 1930 e 1950, falou das grandes cidades do continente como precursoras de um crescimento auto-destrutivo, em que novos prédios vão se erguendo sobre as ruínas de construções antigas, soterrando a história, enquanto as cidades européias mantêm o peso de seu passado como anciãs tristes.
A análise vale para São Paulo, mas não para Nova York, uma cidade que está em constante transformação sem apagar as marcas de seu passado. A construção de novos prédios convive lado a lado com a restauração de lugares históricos.
Um belo exemplo é a recente restauração do Grand Central Terminal, a estação de trens mais suntuosa da cidade, construída em 1913. Agora, o lugar abriga bares e restaurantes de primeira categoria e se tornou uma das atrações mais visitadas da Midtown, sem perder a beleza de seu projeto original.
Os prédios do SoHo, bairro próximo à concentração de arranha-céus do sul de Manhattan, estavam para ser demolidos na década de 1960. Mas houve uma movimentação popular em nome de sua conservação. Com estrutura de ferro fundido, são construções típicas dos antigos bairros industriais de Nova York. Artistas e marchands se mudaram para a região e com eles vieram galerias, cafés e lojas. As fachadas das construções históricas estão preservadas e o bairro se transformou no lugar mais descolado da cidade, onde a moda e a arte lançam seus projetos de vanguarda.
De frente para a saída principal da estação do World Trade Center está a St. Paul´s Chapel, a igreja mais antiga e preservada em Manhattan, construída em 1776, antes da independência dos Estados Unidos. Quando aconteceu o atentado às torres gêmeas, todos os prédios da região sofreram avarias, menos a igreja. Milagre ou não, ela continua lá, firme, para testemunhar o avanço da história da cidade.
Quando a Freedom Tower estiver pronta, no lugar onde antes estava o imponente World Trade Center, a catedral de St. John the Divine, no Upper East Side, ainda não terá sido concluída. Iniciada em 1892, a obra monumental em estilo gótico ainda está em andamento e seu projeto prevê a construção de uma torre transversal que a tornará a maior catedral do mundo.
Nova York é assim, uma cidade de contrastes, mostrada centenas de vezes no cinema, que olha para o futuro sem esquecer do seu passado, que abriga tradições e promove inovações, que atrai milhares de turistas, mas tem uma vida própria, como a locomotiva da maior economia do planeta.
Na hora de se divertir
Não é nenhum exagero dizer que Nova York é a capital teatral do mundo. E é na iluminada e badalada Broadway, em majestosos teatros erguidos entre 1900 e 1930 (e em outros não tão glamourosos assim), que centenas de peças ficam em cartaz o ano todo, entre musicais, comédias, dramas e espetáculos que apostam em experimentações e que nunca deixam o show parar.
Na realidade, o nome oficial da região é Theater District, ao redor da Times Square, num dos lados da Broadway (a avenida), principalmente entre a 41st e 53rd Streets - daí o nome genérico Broadway.
Segundo a Keith Prowse, que vende no Brasil ingressos para diversas montagens nova-iorquinas, os brasileiros costumam procurar peças consagradas da Broadway - como O Fantasma da Ópera, há 18 anos em cartaz, e Mamma Mia, inspirada na trajetória do grupo ABBA, além dos musicais da Disney, a exemplo de O Rei Leão e Tarzan.
Na hora de consumir
É difícil, quase impossível, voltar de Nova York com as mão abanando. As opções de compras são inúmeras, os preços são muito convidativos e muitas lojas não contam com filial no Brasil. Abaixo, algumas dicas para ir direto àquilo que interessa.
Moda
De principais grifes européias até as monstruosas lojas de departamentos, Manhattan abriga uma variedade enorme de mimos para a vaidade de homens e mulheres.
O paraíso da alta costura, do luxo e do esbanjamento está no Upper East Side, mais exatamente na região da Madison Avenue, entre as ruas 60th e 80th. Experimente um passeio por lá, mesmo que não tenha um limite tão grande no cartão de crédito. Armani (760 Madison Av.), Prada (760 Madison Av.), Ralph Loren (867 Madison Av.), Dolce & Gabanna (825 Madison Av.), Givenchy (954 Madison Av.), Valentino (747 Madison Av.)... Todos os grandes da alta costura estão ali, em uma disputa acirrada para ver quem ganha o título de loja mais empetecada. Esbanjamento não é pecado na capital do consumismo.
Na outra ponta de Manhattan, mais especificamente no SoHo, fica outra concentração de lojas de grife, mas o estilo aqui não é grã-fino. É moderno e descolado, para pessoas mais jovens. O epicentro é a Broadway, entre as ruas Houston e Canal, e vale uma caminhadinha pelas ruas transversais Broome, Wooster e Greene. Lojas legais, como Prada SoHo (575 Broadway St), Comme des Garçons (116 Wooster St), Adidas (610 Broadway St) e Bloomingsdale SoHo (504 Broadway St), dividem espaço com brechós e camelôs.
Muitas outras lojas de grife se concentram na Fifht Avenue, entre as ruas 50th e 59th, com destaque para as enormes Abercombrie & Fitch (720 5th Av.), Takahimaya (693 5th Av.) e Bergdorf Goodman (611 5th Av.). Na esquina com a 57th St. fica a Trump Tower, que abriga diversas lojas. Pela rua 57th, vale uma caminhada em especial, pois várias lojas estão concentradas ali, como Burberry (9 E 57th St), Dior (21 E 57th St), Chanel (15 E 57th St), Louis Vuitton (49 E 57th St) e Victoria´s Secret (34 E 57th St).
Uma loja de departamentos enorme e bastante conhecida é a Bloomingsdale´s, que fica no número 1.000 da 3th Avenue, na altura da rua 59th.
Eletrônicos
Não se engane com as centenas de lojinhas e de camelôs que vendem eletrônicos na região da Times Square. Vá direto às grandes lojas, cuja procedência é garantida. Para eletrônicos em geral, a J&R Computer World é a maior. Fica no extremo sul de Manhattan, próximo ao Ground Zero (15 Park Row). Para câmeras digitais, filmadoras e laptops, procure a B&H, que fica na Midtown, próxima ao Empire State (420, 9th Av. at 34th St). A B&H oferece atendimento em português e grupos de brasileiros ganham desconto. A sensação em Manhattan é a enorme loja da Apple, em plena esquina da 5th Avenue com a 59th Street. Também há a opção da loja da Apple no SoHo (103 Prince St.).
Livros e CDs
Não precisa nem comprar. Se quiser, você lê de graça em qualquer uma das megalivrarias da rede Barnes&Noble. Apenas em Manhattan há nove e não será difícil topar com uma delas. Para os livros de arte, a mais indicada é a Rizzoli (31 W 57th St.). Se gostar muito de livros, não deixe de visitar a Strand (Broadway at 12th St.). Especializada em livros usados e edições raras, ostenta o slogan "18 milhas de livros".
Quando o assunto é CDs e DVDs a megastore da Virgin na Times Square é o primeiro lugar a visitar. Não perca também a Tower Records (1961 Broadway).
Na hora de bater pernas
Caminhar por Manhattan é uma experiência fascinante. Cada esquina pode guardar uma surpresa e a ilha é quase inteira plana, o que favorece bastante os pedestres. Abaixo, três sugestões de caminhadas em diferentes regiões. Confira o horário de funcionamento das atrações antes de planejar.
Upper East Side
O Upper East Side, área do lado leste do Central Park, é a região mais rica e elegante da cidade. Abriga prédios de apartamentos de luxo, lojas de grifes famosas e muitos museus. Nesta caminhada, você vai sentir o que há de mais sofisticado em Manhattan.
Comece pela esquina da 5th Av. com a 59th St. Subindo pela Quinta Avenida, do lado esquerdo fica o Central Park e à direita prédios residenciais de alto padrão. Na esquina com a 70th St. confira o acervo da Frick Colection, uma das mais completas coleções de arte européia renascentista em Manhattan, conservada em um casarão de 1914. Nada mais aristocrático. Vire na 71th St. à direita e siga até a esquina seguinte, a Madison Av. Vire à esquerda na avenida e suba até o Withney Museum, que fica na altura da 74th St, e é o principal museu dedicado à arte moderna americana. Siga na Madison Av. até a 86th St., conferindo as lojas de alta costura que se concentram na região. Vire à direita na 86th St., rua onde se concentram imigrantes de origem alemã e austríaca. Siga até Carl Schultz Park, às margens do East River, onde você pode relaxar alguns minutos. Se tiver tempo e disposição sobrando, volte pela 86th St. até a 5th Av., vire à esquerda e desça quatro quarteirões até o Metropolitan Museum.
Midtown
O centro nervoso da metrópole, a maioria das atrações turísticas e as grandes redes de hotéis estão aqui.
Há muitas opções de passeios a pé. Sugerimos uma delas.
Comece pela sede da Nações Unidas, na 42nd St. com a 1st Av. Siga pela 42nd St. parando no Grand Central Terminal, na New York Public Library e no Bryant Park. Ao chegar na Broadway, vire à direita e você dará de cara com a Times Square. Suba pela 7th Av. até a 49th St. Vire à direita e siga até o Rockfeller Center. Uma boa pedida é subir no terraço de observação do prédio da General Electric, mas é preciso agendar a visita antes pela Internet (www.topoftherocknyc.com). De lá, continue até a 5th Av. e vire à esquerda. Subindo a Quinta Avenida confira a enorme St, Patrick´s Cathedral e siga até o cruzamento com a 53rd St. Vire à esquerda e siga até o MoMA para conferir o acervo de um dos mais importantes museus de arte moderna do mundo.
SoHo e Downtown
O SoHo é o bairro mais descolado de Manhattan. Fica ao lado do centro financeiro, no extremo sul da ilha, onde ficavam as torres gêmeas do WTC.
Comece pela esquina da Broadway com a Houston St. Descendo a Broadway no sentido sul, no mesmo quarteirão ficam o Guggenheim Museum SoHo, o Museum for African Art e o Museum of Contemporary Art. Vire à direita na Prince St., siga até a Greene St. e vire à esquerda. Na Greene você vai conferir uma seqüência de prédios em ferro fundido que é a marca da região. Desça até a Canal St., atravesse a rua e desça na Church St. até o Ground Zero. Confira o memorial em homenagem às vítimas do WTC e visite a St. Paul´s Chapel. Siga pela Fulton St. até a Broadway. Vire à direita na Broadway e desça até a Trinity Church, uma bela igreja que fica no final da Wall St., o centro financeiro de Manhattan. Siga pela Wall St. até o terminal de onde partem as barcaças para Ellis Island e a Estátua da Liberdade. Dali, caminhe pelo Battery Park curtindo a vista e relaxe.
Nova York: Onde comer
No campo da gastronomia, a variedade é tão grande quanto na das compras. Cafés, bistrôs, restaurantes, lanchonetes, brasseries, bares, pubs, são muitas as opções. Manhattan é uma cidade cheirosa, tomada pelo odor de delícias variadas e quase irresistíveis.
Um estabelecimento típico da cultura nova-iorquina são as delicatessen, também chamadas apenas por "deli". Esses lugares misturam um ambiente de café com padaria e mercearia. Os cardápios geralmente são muito extensos, englobando pratos, tira-gostos, sanduíches e sobremesas. As duas delicatessen mais famosas da cidade são a Katz´s, em Downtown, e a Carnegie, em Midtown.
A área chamada Meatpacking Distrit, no sudoeste da ilha, entre 14th St. e a Houston St., tem uma série de novos restaurantes, como o Buddakan (75 9th Av.), o Pastis, um bistrô francês (9 9th Av.), o Vento, de culinária italiana (675, Hudson St.), o ONO, de culinária japonesa, (18 9th Av.) e o Highline Restaurant, de culinária tailandesa (835 Washington St.). No Lotus, que serve pratos asiáticos, você pode esticar a balada depois do jantar, com DJ que toca de meia-noite até as 4 da manhã (409 W 14th St.). Confira os destaques da região no site www.meatpacking-district.com.
Um restaurante que vale a pena conferir é o The View, que fica no 50o andar do Marriot Marquis Hotel (1.535 Broadway) e tem uma ótima vista. Entre os restaurantes de hotéis, vale destacar também o Café Pierre, que fica no The Pierre Hotel (5th Av. at 61th), e o L´Atelier, que fica no Four Seasons (57 E 57 St.).
Se a idéia for impressionar sem ligar para o preço, os franceses Alain Ducasse (155 W 58th St.), Daniel (60 E 65St.) e Balthazar (80 Spring St.) são os mais indicados.
Não se esqueça de fazer reserva antes, pois a concorrência é grande. A maioria dos restaurantes tem site na Internet, onde se pode conferir fotos, fazer reservas e até dar uma olhada no cardápio. É costume dar gorjeta entre 15% e 20%.
Com tantas opções, não se pode dizer que Nova York é uma cidade necessariamente cara. Você pode gastar cerca de US$ 8 para almoçar em umas das inúmeras redes de lanchonetes fast food ou gastar US$ 100 para almoçar em um bistrô descolado, tomando um vinho para acompanhar. Pode pagar cerca de US$ 35 pela diária de um albergue onde dividirá quarto com mais 10 pessoas, como pode pagar cerca de US$ 500 pela diária em um hotel de luxo.
Ou seja, se não tiver muitos dólares para gastar pode se virar muito bem, mas certamente voltará um pouco frustrado por não ter feito compras e desfrutado de alguns luxos. Não esqueça: você está no reino do consumismo.
Manhattan nunca dorme. A assertiva já virou lugar-comum, mas não perdeu sua validade. Restaurantes, bares, pubs, danceterias e clubes agitam a noite da cidade com opções para jovens e velhos, casais e solteiros. Abaixo, algumas sugestões:
Clubes de Jazz
O jazz nasceu no sul dos Estados Unidos, mas se desenvolveu sobretudo em pequenos clubes de Nova York. Se quiser assistir shows de primeira, vá ao Blue Note (131 W 3rd St.), ao Birdland (315 W 44th St.) ou ao Village Vanguard (178 7th Av.). Uma curiosidade são os shows em que Wood Allen participa como clarinetista às segundas no Carlyle Café (Madison Av. at 76th St.), mas o couvert é que não anima muito: US$ 85.
Danceterias e Lounges
Para ficar até tarde da noite na rua, confira algumas dessas baladas dançantes. No Roxy (515 W 18th St.), o diferencial é a enorme pista para patinadores. A Cielo (18 W 12th St.) foi escolhida por três anos consecutivos pelo guia Time Out como a melhor danceteria de NY. Confira também a Pink Elephant (527 W 27th St.).
Entre os bares lounge, com boa música e um clima mais sossegado, o destaque fica com o Buddha Bar (25 W 12th St.) e o Bungalow 8 (515 W 27th St.).
Nova York: A capital do mundo
Nova Iorque é um dos estados dos Estados Unidos da América, localizado na Região Centro-Atlântico do país. O Estado, com seus 19,4 milhões de habitantes, é o terceiro mais habitado dos Estados Unidos, superado apenas pela Califórnia e pelo Texas.
Mapa é fundamental
Para se localizar bem em Manhattan, basta ter sempre um mapa à mão e saber alguns preceitos básicos. A ilha é dividida em três partes: Downtown, ao sul, onde fica o centro financeiro e uma série de pequenos bairros; Midtown, no centro, o burburinho dos turistas, onde estão os principais hotéis, restaurantes, bancos, teatros e lojas, além de muitos museus; e Uptown, ao norte, onde ficam os bairros residenciais. É muito fácil se locomover na cidade, mesmo na hora do rush, quando as ruas são tomadas de carros e pedestres apressados. A opção mais cômoda e confortável é pegar um dos cerca de 12 mil táxis que circulam por Manhattan. A oferta é tão grande, que muitas vezes há mais desses inconfundíveis carros amarelos nas ruas do que outros tipos de veículos. Mas quando está chovendo, torna-se uma missão quase impossível encontrar um táxi disponível. Geralmente, a corrida não excede US$ 20.
Uma opção muito mais barata e igualmente rápida e segura é o metrô. Qualquer ponto de Manhattan está no máximo a cinco quarteirões de uma estação. Não se impressione com a imundície de algumas estações. Ao pegar o metrô, atente para a letra da linha que deseja tomar, já que muitas estações estão na confluência de mais de uma linha. Em muitos casos, há duas entradas separadas, uma para os trens que vão sentido Downtown outra para os que vão no sentido Uptown.
Informações gerais
Documentos exigidos para entrada nos Estados Unidos:
Passaporte válido por, no mínimo, seis meses e visto, cujo processo de obtenção pode demorar dois meses ou mais. O primeiro passo é pagar uma taxa de R$ 38,00 para agendar uma entrevista. Isso é feito pelo site www.visto-eua.com.br e pelo (21) 4004-4950. Depois disso, a entrevista já pode ser solicitada e, na data prevista, leve ao consulado ou embaixada americana os formulários preenchidos, comprovante de pagamento da Taxa de Solicitação de Visto (que custa US$ 100) e uma foto 5X5 ou 5X7.
Idioma: inglês
Moeda: dólar
Fuso horário: três horas a menos em relação a Brasília
Para ligar a cobrar para o Brasil: a Embratel oferece diversos códigos, como o 1-800-344-1055 e 1-800-283-1055, enquanto o código do serviço da Telefônica é 1-866-355-1515
Consulado Geral do Brasil em Nova York: 1185, Avenue of the Americas, 21º andar, (00XX-1917) 777-7777; consulado@brazilny.org.
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