Lagos Andinos: Algumas das mais belas paisagens da América do Sul
Na região dos Lagos Andinos, onde o Chile se une à Argentina, o imponente vulcão Osorno reina soberano em uma área recheada de atrativos para os amantes da natureza.
Por Karen Abreu
Montanhas com picos eternamente nevados, entremeadas por vulcões e longos bosques preservados - tudo isso refletindo num lago de variados tons de verde. Componentes capazes de formar um cenário de beleza estonteante, certo? Então, o que dizer da Região dos Lagos e Vulcões chilenos, na porção sul do país, em que paisagens assim se sucedem magnificamente mais de uma centena de vezes, avançando rumo à vizinha Argentina?
No sul do Chile, quase na divisa com a Argentina, uma fileira de vulcões cuspiu lavas e derreteu geleiras que formam um relevo único: a região dos Lagos Andinos, um dos destinos preferidos dos brasileiros que seguem rumo ao Cone Sul em busca de neve.
Com 120 lagos - alguns margeando bucólicas cidadezinhas de colonização e arquitetura alemãs, outros ainda inacessíveis -, além de centenas de vulcões, entre os que estão submersos e aqueles com mais de 2 mil metros de altitude, como o sempre presente Osorno, onde a neve teima em reinar para sempre, o mínimo que se pode dizer é que esse pedaço é totalmente demais. Ou, em se tratando do Chile, de mais um roteiro de viagem que é totalmente demais.
Cada uma das principais cidades da região dos lagos conta com excelente gastronomia, centros comerciais e transporte e dispõe de atrações para todos os gostos, idades e estados físicos. Muito interessante é a cadeia de parques nacionais que se estende ao longo da fronteira com a Argentina e protege uma série de ecossistemas, que vão desde bosques nativos até mesetas vulcânicas.
A belíssima paisagem dos Lagos Andinos varia de acordo com a estação do ano, apresentando características diferentes. No Verão, o céu azul, a paisagem verde e as cachoeiras, têm ao fundo os cerros com os picos nevados. Os contrastes das cores do Outono tornam as paisagens ainda mais bonitas.
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Lagos Andinos: Conheça a cultura da região
A região dos lagos e vulcões do sul do Chile é a terra mãe dos índios Mapuches, uma das culturas indígenas mais destacadas das Américas. Por quase trezentos anos, os mapuches defenderam dos espanhóis a assim chamada Araucanía, o setor norte da região. Brigaram, debandaram-se e trocaram sua cultura pulverizando-a através do pampa.
Três séculos de resistência: quanta força! Mas essa é a natureza da região dos lagos. Forte, sim; mas seguros e com uma elegância européia que resulta surpreendentemente familiar.
Na medida em que os Mapuches cederam seu território à República recém independente, os colonos europeus chegaram em massa a este paraíso de ricas terras vulcânicas, bosques milenares e limpos lagos de origem glacial, cujas águas refletem a cadeia de vulcões ativos que se ergue com o passar do horizonte oriental.
Construções coloniais e rústicas, traços europeus e indígenas convivem lado a lado e confirmam a peculiaridade do lugar. Em meados do século XIX, imigrantes alemães e suíços aportaram por ali, e deram o toque final na paisagem. Às vezes, se não fosse pela língua, poderíamos nos imaginar no meio dos Alpes.
A região é cortada por rios e também abriga ilhas, canais, estuários, fiordes, densos bosques, uma fauna característica e paisagens de tirar o fôlego. Em comum, os lagos gelados de águas azuis ou verdes, todos de extrema beleza; uma paisagem que estará presente em toda a travessia de Puerto Montt a Bariloche.
O "Paso Vicente Pérez Rosales" foi descoberto e usado por missionários jesuítas e, logo após, também pelos colonos do Lago Nahuel Huapi. A primeira vez que se utilizou esta passagem como um circuito turístico foi em 1903, organizado pelo jovem Ricardo Roth Schütz, que trouxe turistas franceses a Buenos Aires e a Bariloche e de lá até Puerto Montt pelo "Paso Pérez Rosales".
Em 1913, Ricardo fundou no Chile a empresa Andina del Sud e implementou apoio logístico aos barcos que navegavam os Lagos Todos Los Santos, Frias e Nahuel Huapi. Além disso, instalou vários albergues em Ensenada, Petrohué, Peulla e Puerto Blest.
Desenvolveu assim a Travessia dos Lagos Andinos, como roteiro turístico, atravessando terras, por caminhos próprios e utilizando albergues, embarcações e veículos de sua propriedade. O êxito de tal empreendimento foi tamanho que desde 1913, data de fundação da empresa, até os dias de hoje, três gerações descendentes têm operado ininterruptamente e controlado a Travessia dos Lagos como roteiro turístico, tornando-o um dos mais tradicionais circuitos do continente.
Lagos Andinos: Explore!
Pescados em Puerto Montt
A partir de Santiago, o principal acesso à rota é por Puerto Montt, a menos de duas horas de avião da capital chilena. Além de capital da 10ª Região e maior cidade das redondezas, Puerto Montt é também o principal porto do sul do Chile. Por isso mesmo, a vida local gira em torno da atividade pesqueira, com velhos moradores e pescadores que sempre têm alguma história do mar para contar.
Sem falar, claro, dos pescados frescos, encontrados, aos montes, no tradicional Mercado de Angelmó, na área portuária da cidade. Ok, o lugar não é dos mais bonitos, mas o passeio vale pelo contato com a gente e as coisas do Chile, como toda sorte de frutos do mar, que também podem ser consumidos por lá mesmo.
O espaço também tem uma área voltada ao artesanato. As muitas banquinhas vendem agasalhos coloridos, bolsas, echarpes e toucas, entre outros itens feitos com pêlo de lhama, além de badulaques diversos. Como em qualquer feira do mundo, vale uma "chorada" para economizar uns trocados. O produto pode até não sair pela pechincha pretendida, mas, no Angelmó, os turistas sempre têm direito a um descontinho.
Mas é em Puerto Varas, a menos de 20 km de Puerto Montt, que realmente começa o espetáculo dos lagos e vulcões. Não dá para esquecer a primeira vez que se olha, seja do aprazível calçadão da cidade ou do quarto de hotéis como o Cabañas del Lago, para o aparentemente interminável Llanquihue, o maior lago do circuito. São 870 km2 de extensão. A profundidade chega, em alguns pontos, a 350 metros.
Além dessa imensidão azul-escura, a paisagem se torna ainda mais grandiosa com a presença do Vulcão Osorno, que fica a 2.652 metros de altitude e foi bastante ativo nos séculos 18 e 19. Uma dessas erupções, em 1834, até foi observada pelo evolucionista Charles Darwin, que a classificou como "o mais magnífico dos espetáculos".
Depois de ter jorrado lava pela última vez em 1961, o Osorno hoje repousa tranqüilo de frente para o Lago Llanquihue e para outros "colegas", como os vulcões Calbuco e Pontiagudo, pertencentes ao majestoso Parque Nacional Vicente Perez Rosales.
Onipresente, podendo ser visto a partir de todas as cidades que ladeiam o Llanquihue, o Osorno em si também pode ser visitado, sem grandes dificuldades, depois que o carro, van ou ônibus vencer a subida por uma estradinha sinuosa. Lá de cima, além de mais uma vista de cair o queixo, há o Volcán Osorno Centro de Ski y Montaña, ou seja, um centro de esqui e de atividades de montanha.
Atrações da montanha
Com 12 km de pistas de esqui de todos os níveis, aulas do esporte e de snowboard e loja para aluguel e compra de equipamentos, a estação junto ao Vulcão Osorno é muito procurada no inverno. Mas, fora da temporada, o centro também oferece atividades bacanas, como passeio de snowcar - um veículo adaptado para rodar sobre a neve, que, mesmo nos meses mais quentes, resiste em algumas partes da montanha - e passeio nos meios de elevação do empreendimento. O ski lift leva o visitante a 1.700 metros e, lá do alto, é possível contemplar um panorama completo da região, em que aparecem o Lago Llanquihue, os vulcões Calbuco e Tronador (um gigante argentino a 3.460 metros do nível do mar), a seqüência de montanhas da Cordilheira dos Andes, o Rio Petrohue e o glaciar que cobre o Osorno.
Entre as opções mais ativas, não só contemplativas, há o snowshoeing, caso haja neve suficiente. Trata-se de uma caminhada com raquetes nos pés, que servem para ajudar o praticante a não atolar na neve. Os mais radicais certamente vão partir para a tirolesa que desliza por 450 metros, montada no Centro Primavera (altitude de 1.425 metros).
Esteja certo que, na volta à área do centro de recepção e atendimento ao turista, você estará com frio e ao menos uma sensação de fome. A dica, então, é seguir para uma das cafeterias do complexo, que servem chocolate quente e sopas, entre outras delícias quentes que caem muito bem nessa hora.
Influência alemã
Para quem pensa que tudo de mais magnífico foi visto, ainda tem muito mais. É possível, por exemplo, continuar conhecendo as cidadezinhas ao redor do Llanquihue, como Puerto Octay e Frutillar, um lugarejo de colonização alemã que parece ter "pulado" de um desses calendários que trazem fotos dos Alpes.
Isso por causa da arquitetura, das docerias - que vendem apetitosas apfestrudel (torta de maçã à moda alemã) e cucas -, pelo museu que mostra como viviam os colonizadores na época de sua chegada ao sul do Chile ou, ainda, pelo apreço pela música clássica.
Já ao norte do Vulcão Osorno, surge outro lago grandioso, o Puyehué, em cujas margens existem piscinas naturais de água quente, aproveitadas por muitos hotéis - como o Termas de Puyehué - para o relaxamento dos hóspedes. Adeptos da pesca também se sentirão gratificados, já que há muitos do famoso salmão chileno em suas águas. Em outro ponto do Parque Nacional Vicente Perez Rosales, com os Saltos do Rio Petrohue, a natureza continua dando provas de que ali, no sul do Chile, fez hora extra para mostrar-se bela e grandiosa.
Os saltos são uma seqüência de quedas d'água ocasionadas pelos desníveis no leito do rio, que caem com força em meio às rochas vulcânicas. Mesmo com as quedas não sendo muito altas, o visual formado é incrível, realçado pelo verde da vegetação e pela neve eterna das montanhas ao redor.
Até a Argentina
Outra parada obrigatória é o Lago de Todos os Santos (ou Esmeralda, por causa da cor da água), para fazer um rápido tour de barco, quando mais uma vez se descortinam vulcões e o Cerro Tronador. Ou para zarpar para um passeio sensacional: a travessia dos Lagos Andinos, que leva até Bariloche, do lado argentino do roteiro.
A viagem inclui trechos a bordo de um catamarã (barco de dois cascos), que dispõe de poltronas voltadas para as estrelas da viagem, os lagos e vulcões, e uma parte terrestre, um pouco mais longa.
O circuito exibe, pelo caminho afora, bosques, rios e montanhas nevadas, fazendo a ligação de três lagos - Todo los Santos, o pequeno Frias, de águas de uma cor belíssima, e Nahuel Huapi, que emoldura Bariloche como o Llanquihue a Puerto Varas.
No inverno, quando os dias são mais curtos, a travessia dura dois dias. No verão, o catamarã, que parte pela manhã, chega ao final do passeio na hora em que o sol começa a se esconder sobre o Nahuel Huapi, num pôr-do-sol enfeitiçante. Tendo provado um roteiro como esse - e já sabendo que o Chile tem outros tantos destinos fantásticos -, melhor somente dizer hasta luego.
Lagos Andinos: O que comer?
A cozinha chilena é muito rica e variada, além de ser uma das cozinhas mais saborosas da América do Sul. Sua gastronomia baseia-se, principalmente, na tradição da culinária espanhola.
Os chilenos temperam a carne com muitos ingredientes. A carbonada é uma carne frita cozida com diversas verduras, entanto que o charquicán, prato autenticamente chileno (provavelmente de origem mapuche), é uma mistura de carne ou charqui, preparada com uma variedade de verduras e servida com cebolas em escabeche. A região oferece diversas opções de pratos típicos, como a empanada e peixes ou frutos do mar preparados das mais diversas maneiras.
Peixes e frutos do mar, principalmente o salmão, compõem os principais pratos dos menus da região. Sempre frescos e com ótimos preços.
O salmão defumado, o congro e os mariscos do Pacífico são os pratos mais pedidos. É imprescindível degustar também a especialidade chilena chamada "pastel de choclo", que na verdade não é um pastel e sim uma fritada feita com frango, especiarias e creme de milho. Locos, pirocopos, nayaruelas, machas, huepos, puyes e choros são outras especialidades que fazem sucesso nos diversos restaurantes.
Na região você encontra os mais variados restaurantes, de cozinha típica ou internacional. Não deixe de saborear o curanto (comida mapuche), prato mais típico da região, preparado embaixo da terra, sobre brasas quentes e envolvidos em folhas de nalca (planta da região), e os deliciosos vinhos chilenos nas bodegas espalhadas pelas cidades dos Lagos Andinos.
A cidade de Puerto Montt tem como grande atrativo o mercado de peixes e de mariscos, que conta com variedades que raramente vemos no Brasil, como um tipo de marisco vermelho denominado "piure" e um caranguejo gigante, o "centolla". O local é simples, com pequenos boxes que funcionam como restaurantes e são administrados pelos próprios donos, que carregam uma aparência rústica.
No mercado são servidos diversos pratos típicos do país, como o curanto, um cozido de peixes, carnes defumadas e mariscos, acompanhado de um molho picante chamado pebre, feito com coentro e tomate. Só não exagere no consumo de frutos do mar, que nem sempre cai bem em todos os estômagos e pode atrapalhar a viagem bem em seu começo.
Lagos Andinos: E onde fica?
Situados na região na fronteira entre o Chile e a Argentina, é uma belíssima região de lagos e vulcões tem sua paisagem construída por lagos e vulcões.
Saindo de Santiago, Chile e pegando a famosa Rota 5, ou Rodovia Panamericana - a estrada que cruza o país de norte a sul -, o visitante entra na região dos lagos, dos vulcões e da costa, um roteiro que se destaca pela paisagem marcada por vulcões nevados e lagos.
A viagem pode começar pela cidade de Puerto Montt, cidade portuária, a uma hora e meia de avião e 900km da capital. Banhado pelo Oceano Pacífico, a cidade ostenta uma belíssima baía de onde se pode vê os vulcões Osorno e Calbuco
DICAS:
- Não é obrigatório visto e passaporte para entrar no Chile e Argentina, bastando o RG brasileiro. Porém é recomendável viajar com o passaporte.
- A região dos Lagos Andinos é considerada de clima temperado e chuvoso. A temperatura máxima no verão (Dez a Março) chega a 27°C com noites mais frias. No inverno a temperatura máxima é 13°C e a mínima até 3°C .
Durante o inverno, neva principalmente nas montanhas, onde se pode esquiar, enquanto a cidade e as estradas permanecem livres. A chuva se distribui ao longo do ano, com uma menor precipitação entre Janeiro e Fevereiro
- É proibido subir no vulcão Villarrica em Pucón por conta própria, sendo necessário procurar uma agência especializada. As agências oferecem todo o equipamento para caminhar na neve.
- Veja as cidades de Puerto Varas, Puerto Montt e Frutillar, à beira do Lago Llanquiuhe, no sul do Chile na região dos lagos andinos. A maravilhosa beleza do lugar se junta à quietude e as experiências da famosa gastronomia chilena.
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