Florença Desconhecida
Há mais tesouros entre o Rio Arno e o Duomo do que sonha o viajante
Por Lucia Helena Monteiro Machado*
Florença é mágica. É uma pequena cidade da Itália que sintetiza tudo o que livros inteiros tentam explicar: o movimento renascentista florentino, que pôs fim ao obscurantismo da Idade Média e inaugurou a Idade Moderna. Durante o Renascimento, a cidade reuniu gênios artísticos, pensadores, humanistas e cientistas que exerceram uma influência definitiva na história da humanidade.
Difícil resistir aos encantos dessa comovente cidade, que sozinha, reúne, cerca de 40% de todo o acervo artístico da Itália. A cidade também é impressionante marcada pelos grandes nomes que viveram por lá: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Galileu, Dante Alighieri, Filippo Brunelleschi e Nicolau Maquiavel...
Firenze, como chamam os italianos, é a capital da província homônima e da região italiana da Toscana, a cidade foi fundada por motivos comerciais e militares: queriam controlar os únicos pontos navegáveis do rio Arno e os montes Apeninos, nas rotas de norte a sul da península itálica. Caminhar pelas charmosas ruas da cidade, situada na região da Toscana, é ter uma deliciosa aula de história a cada passo, deparando-se com belezas renascentistas durante todo o trajeto.
Beirando o rio Arno ou cruzando as ruelas da cidade, é possível perceber rapidamente porque essa cidade passa a ser uma das prediletas de quem as visitam com sua aura romântica e bucólica que convive em paz com hotéis, restaurantes e lojas grifados.
Infelizmente, o turista apressado dedica a ela pouco tempo, deixando, por isso, de conhecer seus segredos. Como o poeta Rainer Maria Rilke escreveu a Lou Andréas Salomé: "Fiquei feliz de saber que minha permanência na cidade se rolongaria por várias semanas, pois compreendi que Florença não se abre como Veneza, ao hóspede de passagem". É verdade. Costumo dizer que Veneza é uma cidade feminina que se debruça despudoradamente nos seus balcões rendilhados, enquanto Florença é uma cidade masculina, sóbria, que oculta, atrás de suas fachadas severas e retilíneas, seus incontáveis tesouros. A cidade concentra o maior número de obras de arte por metro quadrado do mundo.
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Arte e cultura de Florença
A arte italiana gerou um interesse mundial muito grande, por sua produção monumental consistente e por seus trabalhos espetaculares. Além disso, a arte italiana foi sempre estritamente vinculada às correntes intelectuais e/ou religiosas sempre mantendo o passado como o recurso e a inspiração. Florença é chamada da capital da arte: de acordo com as estatísticas feitas pelo UNESCO, 60% das obras mais importantes do mundo estão na Itália, e aproximadamente a metade estão em Florença. Do século 13 ao 16 pareciam infinitos os recursos criativos de obras dos mestres e gênios italianos que chegavam de Florença. Boccaccio escreveu seu "Decamerone" em Florença.
O renascimento italiano, o cultural e mais rico do período de Europa, começou em Florença quando o artista de Brunelleschi terminou o Duomo, com sua cúpula formidável. Durante o renascimento italiano, Florença adquiriu seus palácios do renascimento e seus assentos, que o transformaram em um museu vivo. Muitos assentos, como o della Signoria de Piazza, exibem fontes famosas e estátuas.
A cidade conta com mais de meia centena de palácios, dos quais o maior e historicamente mais importante é o palácio Pitti, que foi residência dos Medici e depois dos Lorena. Esse palácio foi projetado por Brunelleschi, a quem se deve igualmente a fachada do Hospital dos Inocentes, tida como a primeira obra arquitetônica do Renascimento.
Florença tem também uma beleza interior incomparável. Suas igrejas, galerias e museus representam um tesouro inesgotável, travando o complexo, frequentemente espírito do elusivo do renascimento, mais do que em alguma outra cidade do país. O museu o mais famoso de Florença é o Uffizi, onde as obras de Botticelli podem ser encontradas, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Tiziano e Rubens. Outros museus magníficos da arte que tem no palácio Pitti, do dell'Accademia de Galleria e no Palazzo Vecchio. Florença conta também com a Biblioteca Nacional Central, onde é possível encontrar exemplares de todos os livros publicados na Itália desde 1870.
A cidade é o local onde há as igrejas as mais bonitas de Itália, entre estas o Duomo de Florença, de San Lorenzo, Novella de Santa Maria e de Santa Croce. A arquitetura religiosa florentina é um dos principais centros de interesse da cidade. O edifício mais antigo é o batistério de San Giovanni, em estilo romano, com planta octogonal, decorado exteriormente em mármore verde.
Florença atrai muitos turistas do mundo todo que chegam a Itália. A cidade é um centro ativo da arte e da cultura, e organiza exposições e festivais periódicos de arte. Por exemplo, no verão, a música, o cinema, a dança e o teatro invadem as ruas e as praças. Há um cinema ao ar livre, perto das praças, no verão, há sempre entretenimentos a noite em uma paisagem espetacular graças aos edifícios maravilhosos que há em toda parte. A mistura da arte e da cultura que há em Florença concede que há sempre algo novo que para ver, fazer, experimentar, a cidade oferece oportunidades inesgotáveis para ter contato com a arte, a arquitetura, a literatura e os trabalhos culturais da Itália.
Florença: A cidade italiana da arte
Quem segue viajando pela Itália e dedica apenas algumas horas a Florença, vai direto conhecer os lugares mais famosos e obrigatórios - como o Duomo e o Batistério, os Uffizi, o Palazzo Vecchio, o Palazzo Pitti, a Academia, o Museu São Marco, a Capela dos Médici - e acha que viu tudo. Ledo engano. Existem várias atrações pouco conhecidas, mas imperdíveis para quem quer dedicar um tempinho a mais para esta belíssima cidade. Conheça aqui apenas algumas para estimular a sua curiosidade:
Capela Brancacci (Igreja Del Carmine)
Nela trabalharam Masolino, Masaccio e Filippino Lippi. Masaccio, que morreu aos 27 anos, é tido como um dos pintores mais importantes do Renascimento. Nessa capela está a sua obra que retrata a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A Capela é toda decorada com afrescos que retratam o Pecado Original e a História da Vida de São Pedro.
Capela Dei Magi (Palácio Médici-Ricardi)
Um dos maiores destaques dessa capela é o afresco no qual o pintor renascentista Benozzo Gozzoli representou a chegada dos Reis Magos em Belém. A escritora Mary McCarthy disse que ele soube representar "a juventude e a beleza de Florença neste cortejo de notáveis que mais parece uma parada de conto de fadas".
Coleção Alberto Della Ragione (Piazza della Signoria, 6)
Quem se interessa por arte moderna encontra aqui obras de De Chirico, Morandi e outros.
Museu Bargello (esquina da Via Del Proconsolo com Della Vigna Vecchia)
Instalado em um palácio medieval de meados do século XIII, o museu possui obras dos maiores escultores florentinos, entre os quais Donatello e Michelangelo, Cellini e Giambologna, entre outros. O museu Bargello possui um acervo restrito a esculturas, é muito menos concorrido, mas não menos importante. No século XVI tornou-se residência do chefe da polícia - o Bargello - e serviu de cárcere, mas já havia testemunhado anteriormente muitos acontecimentos históricos. O edifício possui um pátio interno, hoje decorado com estátuas que pertenciam a uma fonte do século XVI.
Museu Horne (Via dei Benci, 6)
Apesar de ser muito interessante, esse pequeno museu é pouco visitado. O palácio que o abriga foi construído no século 15. Foi comprado em 1892 pelo inglês Herbert Percy Horne, um erudito que tem vários livros sobre arte publicados. Ao morrer, em 1916, deixou sua moradia e sua rica coleção para o governo italiano.
Museu Bardini (Piazza dei Nozzi, 1)
Fica do outro lado do Rio Arno, próximo à ponte Alle Grazie. Possui obras muito interessantes, já que seu idealizador, Stefano Bardini, foi um famoso antiquário e colecionador florentino. Ao morrer, em 1922, deixou para a cidade de Florença sua rica coleção. Há esculturas, pinturas, bronzes, cerâmica, tapetes entre outros.
Hotel Porta Rossa (Via Porta Rossa, 19)
É o hotel mais antigo da cidade, tendo começado a funcionar em 1386. De categoria três estrelas, já se hospedaram lá Stendhal, Lamartine e Byron.
Farmácia Santa Maria Novella (Via della Scala, 16)
Fundada em 1221 pelos monges dominicanos, é a farmácia mais antiga do mundo. Mas a Santa Maria Novella, é aberta ao público religiosamente desde 1612. O palácio histórico é de uma beleza incrivvel e atrai turistas do mundo todo. Com diversos objetos de época, os termômetros feitos a partir de desenhos de Leonardo da Vinci, e a garrafa fiorentina de decantação se destacam. A Farmácia vende ervas, essências, pomadas e sabonetes em embalagens típicas do século 18.
Mercado das Pulgas (Pra a Dei Ciompi)
Visita obrigatória para os amantes de antiguidades, faz muito sucesso entre os turistas. Fica bem perto da bonita Loggia Del Pesce, projetada por Vassari. O mercado de pulgas é realizado diariamente na praça homônima, com preços bem convenientes de roupas e artigos em couro.
Igrejas
As mais visitadas e as mais importantes em Florença são a Santa Maria Novella, a Santa Croce e a São Miniato. Mas há outras que merecem atenção. São a Santa Felicita, na praça do mesmo nome, onde há dois deslumbrantes afrescos do pintor Pontormo, um deles representando a Deposio da Cruz, e a Santa Trinita também na praça do mesmo nome, onde estão importantes obras de Guirlandaio e outros.
Os principais símbolos de Florença
Quem visita Florença pela primeira vez pensa logo no David de Michelangelo. E com razão. A escultura está no Museu da Academia e chega a ofuscar outras peças importantes que lá estão. Recentemente, a obra passou por um "banho" que a livrou da sujeira acumulada pelo passar dos anos. Outra atração importante é o Museu dos Uffizi, um dos mais importantes do mundo. Ao lado dele, fica o Palazzo Vecchio, imperdível pela beleza de suas salas e obras de arte. Do outro lado do rio, atravessando a famosa Ponte Vecchio, está o segundo museu mais importante de Florença, o Palazzo Pitti. Visita obrigatória. É indispensável visitar o Duomo (ou Catedral) e o Batistério.
No Duomo, observe a bela cúpula, obra-prima de Bruneleschi, um prodígio da engenharia, e o incrível campanário de Giotto. No Batistério, a obra mais importante é a Porta do Paraíso, de Lorenzo Ghiberti. É assim chamada porque, ao vê-la, Michelangelo disse que ela era digna de ser a porta do paraíso. Embora não seja a melhor atração da cidade, os turistas brasileiros gostam muito do Mercado de Palha (Via Porta Rossa esquina com Via Calimala). Lá, o destaque fica por conta do Porcelino, um javali de bronze (cópia de um que está nos Uffizi). Todos querem tocar no seu focinho e jogar uma moeda na fonte para assegurar sua volta à cidade.
Compras
As compras em Florença acontecem nas ruas. Pois é, os artesanatos são os mais procurados, porque representam os monumentos da cidade. As feiras se concentram mais no fim de semana em frente a igreja da Santa Maria del Carmine. As miniaturas são feitas com pedra, madeira e lã e ganharam o gosto dos turistas, que sempre procuram lembrancinhas temáticas com referência ao famoso Dante Alighieri.
As lojas da Via Tornabuoni e Via della Vigna Nuova estão entre as mais chiques. Para souvenirs uma boa idéia é o Mercato di San Lorenzo na Piazza San Lorenzo de terça a sábado das 8-19, ou o Mercato Centrale na Piazza del Mercato Centrale, perto do San Lorenzo, aberto nas manhãs de segunda à sábado.
Florença: Confira as dicas
Na Itália pode-se comer realmente muito bem, não só pela variedade dos pratos, mas também pelo excelente modo de cozinhá-los. Embora exista a equivocada idéia de que, fora de pizza e pasta não se encontra muito mais, o certo é que a gastronomia italiana oferece uma grande riqueza de sabores e aromas.
O Império Romano foi famoso por seus bacanais, os que se serviam de suculentos manjares trazidos diretamente de outros países: ostras de costas galegas, os melhores patés procedentes de aves francesas ou deliciosa confeitaria árabe, tudo isso regado com os melhores vinhos.
A cozinha da região da Toscana, onde fica Florença, é uma das mais saudáveis e gostosas da Itália. Um dos pratos mais conhecidos é o La Ribolitta, um ensopado composto de várias hortaliças e ervas aromáticas. A palavra Ribollita, traduzida literalmente, significa refervida, ou seja, requentada, porque esta sopa ficaria mais gostosa se fosse consumida no dia seguinte.
Florença oferece diversas opções de restaurantes, confira passando na tratoria Acqua Cotta (Via dei Pilastri 51), ou então na Belle Donne (via delle Belle Donne 16), que estão entre as mais conhecidas. De sobremesa não dispense uma visita à La Boutique del Cioccolato (Via Maragliano 12), onde estão tortas, doces e pralines deliciosos, além de obras de arte na forma de instrumentos musicais, animais e pessoas, tudo feito de chocolate), ou então vá na Pasticceria Luca (Via Lazzerini 2), vencedora do campeonato italiano de artesãos de chocolate, com obras e delícias impossíveis de descrever.
Os restaurantes mais estrelados da cidade são o Sabatini, na Via Panzani, o folclórico Il Latini, instalado na antiga estrebaria do Palazzo Rucellai, na via Del Palchetti, e a Enoteca Pinchiore, na Via Guibelina,. Em qualquer um deles, não deixe de provar uma iguaria imperdível: o Panforte di Siena.
As noites são bem tranqüilas em Florença, é muito comum sair para saborear um delicioso "gelatto". Para quem quer saborear um bom vinho a dica é o bar Pitti Gola, que fica na Piazza Pitti, sempre lotado, oferece um dos melhores vinhos de Florença.
O tradicional Café la Torre também costuma encher, principalmente às sextas-feiras, não deixe de experimentar o famoso café com leite bem geladinho.
Florença: E onde fica?
Florença é a capital da província homônima e da região italiana da Toscana. Está situada a 230km ao noroeste de Roma, com 448 mil habitantes e uma área em torno de 105km2. Faz fronteira com Bagno a Ripoli, Campi Bisenzio, Fiesole, Impruneta, Scandicci, Sesto Fiorentino.
Como chegar:
O meio mais comum de se chegar em Florença é de trem, na Estação Santa Maria Novella. Para Roma, a 278 km de distância, o trem é de alta velocidade e a viagem dura aproximadamente 1h30.
O Aeroporto de Florença (Amerigo Vespucci) tem conexões diretas com os aeroportos de Roma e Milão e com outros vários importantes aeroportos do mundo. A distancia do centro da cidade é de apenas 5km
Quando ir:
A melhor época para ir a Florença é setembro, no começo do outono, pois a cidade não está tão lotada quanto no verão, o que diminui o tempo de espera nas filas dos principais museus. Na primavera, essa espera pode chegar a cinco, seis horas, se você quiser conhecer as obras-primas da Galeria Uffizi ou visitar a Galleria dell'Accademia.
O fuso horário em Florença é quatro horas a mais do que no horário de Brasília.
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